**Lead**
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (25 de outubro), consolidou no Rio de Janeiro um padrão de votação que espelha a divisão política do país. Com 100% das urnas apuradas no estado, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato Flávio Bolsonaro (PL) disputaram voto a voto, com vantagem numérica para um dos lados em diferentes regiões fluminenses. O resultado final, embora ainda não tenha sido oficialmente proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o fechamento desta matéria, aponta para uma vitória apertada de Lula no estado, com aproximadamente 51% dos votos válidos, contra 49% de Flávio. A diferença, de cerca de 2 pontos percentuais, representa uma mudança em relação ao primeiro turno, quando o candidato do PL havia obtido vantagem sobre o petista no território fluminense.
**Contexto**
O Rio de Janeiro, historicamente um estado com forte peso eleitoral, tem se mostrado um termômetro da disputa nacional. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 48% dos votos válidos no estado, enquanto Lula registrou 42%, com o restante distribuído entre outros candidatos. A virada no segundo turno, ainda que estreita, foi atribuída por analistas à migração de eleitores que votaram em candidatos de centro, como Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT), para o petista. A capital, Rio de Janeiro, e a região metropolitana, incluindo Niterói e São Gonçalo, foram decisivas para a vantagem de Lula, enquanto o interior, especialmente as cidades do norte e noroeste fluminense, como Campos dos Goytacazes e Itaperuna, registraram forte apoio a Flávio.
A economia foi um dos temas centrais da campanha no estado. O Rio de Janeiro enfrenta desafios estruturais, como a dependência da indústria do petróleo e gás, a crise fiscal crônica e a alta taxa de informalidade. Durante o segundo turno, os dois candidatos apresentaram propostas para estimular o crescimento econômico fluminense, com foco em investimentos em infraestrutura, geração de empregos e atração de novos setores, como a economia verde e a tecnologia. Lula prometeu retomar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ampliar o investimento federal em saneamento básico e mobilidade urbana. Flávio, por sua vez, defendeu a redução da carga tributária federal e a aceleração das reformas administrativa e tributária, além de um plano de concessões para o setor de logística.
**Análise**
A vitória de Lula no Rio de Janeiro, ainda que por margem mínima, tem implicações econômicas diretas para o estado. Com um governo federal alinhado ao petista, a expectativa é de que haja maior repasse de recursos para programas sociais e projetos de infraestrutura, o que pode impulsionar a construção civil e o setor de serviços, dois dos maiores empregadores locais. Além disso, a política de valorização do salário mínimo e o fortalecimento do Bolsa Família, bandeiras históricas do PT, tendem a injetar renda nas camadas mais pobres da população fluminense, que sofre com a desigualdade social. Por outro lado, o setor de óleo e gás, vital para a economia do estado, pode enfrentar incertezas regulatórias, já que Lula sinalizou uma revisão das políticas de preços da Petrobras e uma maior intervenção estatal no setor.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado no Rio de Janeiro, embora derrotado, demonstra a força de seu eleitorado no interior e entre os setores mais conservadores e ligados ao agronegócio. A diferença de apenas 2 pontos percentuais indica que o estado permanece dividido, o que pode gerar um cenário de instabilidade política nos próximos anos, com reflexos na aprovação de reformas econômicas no Congresso. A oposição, caso Flávio não seja eleito, deverá usar o resultado fluminense como base para pressionar o governo federal em questões como segurança pública e política fiscal, temas sensíveis para o estado. A polarização, portanto, não deve arrefecer, e o Rio de Janeiro seguirá como um campo de batalha político-econômico, com impactos diretos na confiança dos investidores e no ambiente de negócios local.
**Fontes**
As informações sobre os resultados eleitorais foram obtidas a partir dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados em tempo real durante a apuração. Análises de tendências de votação foram baseadas em reportagens de veículos como G1, Folha de S.Paulo e O Globo, que acompanharam a cobertura do segundo turno. Dados econômicos sobre o estado do Rio de Janeiro foram consultados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e na Secretaria de Fazenda do estado, referentes ao ano de 2025. Nenhuma informação adicional foi fornecida por assessorias de campanha até o fechamento desta matéria.
Por Renan Filho · 2026-10-26