O pré-candidato à Presidência da República, Renan Santos, anunciou nesta quinta-feira, 26 de setembro de 2026, que prepara um protesto em frente à sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro, caso seja excluído do debate promovido pela emissora entre os candidatos ao Palácio do Planalto. A declaração foi feita durante uma live em suas redes sociais e rapidamente viralizou entre os apoiadores.
Segundo Santos, a decisão da Globo de não convidá-lo para o encontro, previsto para o início de outubro, viola o princípio da isonomia e revela um padrão de exclusão seletiva contra candidatos que não se alinham à pauta progressista dominante na grande imprensa. “Não aceitarei ser silenciado. Se a Globo não me convidar, estarei lá com milhares de brasileiros para mostrar que a liberdade de expressão não pode ser um privilégio de poucos”, afirmou o candidato, sem apresentar provas de que a exclusão já tenha sido oficializada.
A Globo, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que os critérios para participação no debate ainda estão sendo definidos e que nenhum nome foi descartado até o momento. A emissora afirmou que tradicionalmente convida candidatos com representação no Congresso Nacional ou com intenção de voto acima de 5% nas pesquisas de opinião, conforme regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Renan Santos, embora figure com cerca de 3% nas últimas sondagens, não ocupa cargo eletivo atualmente.
CONTEXTO A ameaça de protesto ocorre em meio a um acirramento da disputa eleitoral e à crescente desconfiança de parcela do eleitorado em relação à cobertura da mídia tradicional. Nos últimos anos, a Globo tem sido alvo frequente de críticas de setores conservadores e liberais, que acusam a emissora de parcialidade e de atuar como “partido político” disfarçado de jornalismo. Levantamentos do Instituto de Estudos da Mídia indicam que 67% dos brasileiros consideram que a imprensa favorece candidatos de esquerda, embora o dado seja contestado por organizações de defesa da imprensa.
Renan Santos, economista formado pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário de Fazenda de um estado do Centro-Oeste, construiu sua carreira política defendendo o livre mercado, a redução do tamanho do Estado e a reforma tributária radical. Sua candidatura é vista como uma alternativa tanto ao atual governo quanto à oposição tradicional, mas enfrenta dificuldades para obter tempo de rádio e TV e para furar a bolha midiática.
ANÁLISE FORTIS A atitude de Renan Santos, embora legítima do ponto de vista democrático, revela um dilema profundo do sistema político brasileiro: a dependência dos candidatos em relação aos grandes conglomerados de comunicação para alcançar o eleitorado. Do ponto de vista liberal-conservador, a concentração dos meios de massa é um entrave à livre concorrência de ideias. Se o mercado de notícias fosse mais aberto e descentralizado, candidatos como Santos não precisariam recorrer a protestos para obter visibilidade.
No entanto, a escalada retórica também carrega riscos. Ao transformar a Globo em vilã, Santos pode mobilizar sua base, mas corre o risco de parecer vitimista e de desviar o foco de propostas concretas para a economia, área em que possui mais credibilidade. O liberalismo econômico que ele prega precisa ser apresentado com dados e comparações internacionais, e não apenas com confrontos midiáticos.
Além disso, a ausência de um convite oficial da Globo até o momento sugere que o protesto pode ser prematuro. Se a emissora, porventura, incluir Santos no debate, ele terá que administrar o desgaste de ter anunciado uma mobilização que perdeu o objeto. Por outro lado, se for excluído, o episódio reforçará a tese de que a grande mídia atua como gatekeeper político, filtrando candidaturas que não se encaixam no espectro ideológico dominante.
Do ponto de vista econômico, a polarização em torno da mídia tem impactos tangíveis. Empresas anunciantes, que financiam a programação, sofrem pressão de ambos os lados do espectro político para boicotar ou apoiar veículos. Esse ambiente de insegurança jurídica e reputacional desestimula investimentos no setor de comunicação e pode levar a um empobrecimento do debate público.
Por Renan Filho · 2026-09-26