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O senador Renan Calheiros (MDB-AL) declarou, em evento realizado nesta segunda-feira (28) em Brasília, que não espera ser chamado pela Rede Globo para participar de debates sobre segurança pública devido à presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os convidados. A afirmação ocorreu durante painel sobre transparência e combate ao crime organizado, organizado pelo Instituto Não Aceito Corrupção. Renan associou a suposta exclusão a divergências políticas e ao histórico de investigações envolvendo Flávio, que é alvo de apurações sobre supostas irregularidades em seu gabinete quando deputado estadual.
**Contexto**
A relação entre Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro é marcada por embates públicos no Congresso. Renan foi relator da CPI da Covid e atuou em comissões que investigaram desvios de recursos públicos, enquanto Flávio é investigado no âmbito do caso das 'rachadinhas' no Rio de Janeiro, atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). A Globo, por sua vez, realiza periodicamente debates com candidatos e parlamentares sobre temas de interesse nacional, mas a seleção de participantes frequentemente gera controvérsias.
Nos últimos meses, a emissora promoveu encontros sobre segurança pública que reuniram governadores e senadores de diferentes espectros políticos. No entanto, Renan alega que sua ausência nesses eventos não é casual. 'Não serei chamado enquanto houver espaço para quem responde a processos graves', teria dito o senador, segundo relatos de assessores presentes ao painel. A declaração não foi registrada em vídeo, mas foi reproduzida por jornalistas que cobriam o evento.
Flávio Bolsonaro, por meio de sua assessoria, negou qualquer interferência na grade de convidados da Globo e afirmou que 'debates devem incluir todas as vozes, sem censura'. A emissora, procurada pela reportagem, informou que não comenta processos de seleção de participantes e que 'todos os convites são baseados em critérios jornalísticos'.
**Análise**
A fala de Renan insere-se em um contexto de polarização política que afeta a cobertura midiática de temas sensíveis, como segurança pública. O senador, que já foi presidente do Senado e do Congresso, tem histórico de críticas à gestão de Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio. Ao vincular a suposta exclusão a Flávio, Renan busca reforçar a narrativa de que há um cerceamento de vozes contrárias ao bolsonarismo em grandes veículos de comunicação.
Especialistas em comunicação política apontam que a Globo, assim como outras emissoras, enfrenta o desafio de equilibrar representatividade e evitar a normalização de figuras sob investigação. A ausência de Renan em debates sobre segurança — tema no qual ele tem atuação reconhecida, como na relatoria da CPI da Pandemia — pode ser interpretada como um sinal de que a emissora prioriza o confronto direto entre aliados e opositores do governo atual, em vez de um debate técnico.
Para o público, a declaração de Renan reforça a desconfiança em relação à imparcialidade dos meios de comunicação. Em um ano eleitoral, a escolha de debatedores pode influenciar a percepção sobre candidatos e pautas. A segurança pública, por sua vez, é um dos temas mais sensíveis para o eleitorado brasileiro, com índices de violência que afetam diretamente a vida nas cidades. A ausência de vozes críticas ao modelo de segurança adotado pelo governo federal pode empobrecer o debate.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de relatos de jornalistas presentes ao painel do Instituto Não Aceito Corrupção, ocorrido em Brasília em 28 de setembro de 2026, e de notas oficiais divulgadas pelas assessorias dos senadores Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro. A posição da Rede Globo foi consultada por meio de sua assessoria de imprensa, que não detalhou os critérios de convite. Dados sobre as investigações envolvendo Flávio Bolsonaro são de domínio público, com base em processos em tramitação no STF e no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Por Renan Filho · 2026-09-28