**Lead**
O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um novo episódio de tensão interna após o ministro André Mendonça recuar de uma manifestação pública em que endossava críticas feitas pelo influenciador digital Tabet à Corte. O movimento, ocorrido nos últimos dias, dividiu os ministros entre os que consideram o gesto necessário para preservar a imagem do tribunal e os que veem no recuo uma fragilidade diante de pressões externas. O caso reacende o debate sobre a segurança das instituições democráticas brasileiras, especialmente em um contexto de ataques reiterados ao Judiciário.
**Contexto**
Tudo começou com uma postagem de Tabet — figura conhecida por posições conservadoras e críticas frequentes ao STF — em que acusava a Corte de perseguição política contra a direita. André Mendonça, indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e frequentemente alinhado a setores conservadores, interagiu com a publicação demonstrando concordância. A atitude, rapidamente capturada por perfis de monitoramento, provocou reação imediata de outros ministros, especialmente os mais antigos e os que integram a ala considerada mais garantista.
Nos bastidores, relatos de assessores indicam que o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e outros ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes manifestaram desconforto, entendendo que a postura de Mendonça poderia alimentar a narrativa de que o tribunal não age com imparcialidade. Em resposta, Mendonça optou por apagar a interação e divulgar uma nota explicativa, na qual afirmou que “a concordância não se estendia a ofensas ou desrespeito à Corte”. O recuo, no entanto, não pacificou os ânimos.
**Análise**
O episódio transcende o âmbito pessoal e toca em questões centrais de segurança institucional. O STF, como guardião da Constituição, depende de coesão e credibilidade para exercer suas funções. Quando ministros se posicionam de forma divergente em temas sensíveis, especialmente em um ambiente já polarizado, o risco de erosão da confiança pública aumenta. Para analistas de segurança jurídica, a divisão interna pode ser explorada por grupos que questionam a legitimidade do tribunal, um fenômeno já observado nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Além disso, o caso levanta o debate sobre os limites da liberdade de expressão de magistrados. Enquanto alguns defendem que juízes devem preservar uma postura institucional, outros argumentam que não podem ser cerceados em suas opiniões privadas. A falta de um protocolo claro sobre conduta digital dos ministros agrava o problema e torna o STF vulnerável a crises de imagem. A situação exige que a Corte reforce mecanismos internos de governança e segurança comunicacional, evitando que divergências pessoais se transformem em crise de confiança no Judiciário.
**Fontes**
As informações foram consolidadas a partir de reportagens veiculadas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, além de notas oficiais do STF. Os relatos de bastidores foram obtidos por jornalistas que cobrem o tribunal e corroborados por múltiplas fontes internas, que preferiram não se identificar devido à sensibilidade do tema.
Por Renan Filho · 2026-10-01