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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — ganhou novo capítulo nesta semana com a sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o governo não deve apoiar a medida nos termos atuais. A reação do chefe do Executivo, segundo interlocutores, passa por uma análise de custos e benefícios econômicos, enquanto o Partido Liberal (PL) já faz o cálculo político do desgaste ou da vantagem eleitoral que o tema pode gerar em 2026.
**Contexto**
A PEC 6×1, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe alterar o artigo 7º da Constituição para estabelecer a jornada máxima de 36 horas semanais, com um dia de descanso obrigatório a cada seis dias trabalhados. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite jornada de até 44 horas semanais, com folga preferencialmente aos domingos. A proposta ganhou força nas redes sociais e entre sindicatos, mas enfrenta resistência de setores empresariais e de parte da base governista.
Lula, que já se manifestou publicamente contra a aprovação da PEC no curto prazo, orientou sua equipe econômica a elaborar um estudo sobre os impactos na produtividade, nos custos trabalhistas e na geração de empregos. O Ministério do Trabalho e Emprego, comandado por Luiz Marinho, tem realizado reuniões com centrais sindicais e federações patronais. A avaliação interna é que uma redução abrupta da jornada poderia elevar o custo unitário da mão de obra, comprimir margens de pequenas e médias empresas e, em setores como comércio e serviços, exigir contratações adicionais que nem sempre são viáveis.
Do outro lado, o PL — maior bancada da Câmara e partido do ex-presidente Jair Bolsonaro — enxerga na PEC um potencial cavalo de batalha eleitoral. A legenda tem orientado seus deputados a não apoiar a proposta, mas também a não se opor de forma agressiva, para não ficar isolada entre trabalhadores que simpatizam com a ideia. O cálculo político do PL envolve dois cenários: se o governo Lula rejeitar a PEC abertamente, o partido pode explorar o discurso de que o presidente “virou as costas para o trabalhador”; se o governo apoiar, o PL pode criticar o aumento de custos e a suposta “quebra” de empresas.
**Análise**
A economia brasileira vive um momento de recuperação moderada, com desemprego em queda, mas informalidade ainda elevada. Especialistas ouvidos por veículos como a Agência Brasil e o Valor Econômico apontam que a PEC 6×1, se aprovada sem transição, poderia gerar efeitos ambivalentes. De um lado, a redução da jornada tende a melhorar a qualidade de vida e a saúde do trabalhador, o que pode aumentar a produtividade no médio prazo. De outro, setores intensivos em mão de obra, como supermercados, restaurantes e indústrias de bens de consumo, teriam que reestruturar escalas e, em muitos casos, contratar mais funcionários para manter a mesma cobertura de horários.
O governo Lula, que já enfrenta dificuldades para aprovar pautas econômicas no Congresso, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal, precisa calibrar o discurso. A base aliada está dividida: partidos de esquerda, como PSOL e PCdoB, pressionam pela aprovação; partidos de centro, como MDB e PSD, preferem um debate mais lento, com estudos de impacto. O Palácio do Planalto avalia que uma rejeição frontal pode desgastar a imagem do governo junto ao eleitorado mais jovem e organizado em sindicatos, mas um apoio sem contrapartidas pode afastar o empresariado, que já reclama da carga tributária e da burocracia.
O PL, por sua vez, faz um cálculo de médio prazo. A legenda aposta que o tema pode se tornar um dos eixos da campanha presidencial de 2026, especialmente se a economia apresentar sinais de desaceleração. O partido tem evitado posições extremadas, preferindo um discurso de “responsabilidade fiscal” e “defesa do emprego”. Nos bastidores, líderes do PL avaliam que a PEC 6×1 pode funcionar como uma “pauta-ponte” para unificar a oposição, que hoje está fragmentada entre bolsonaristas, liberais e conservadores.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em reportagens da Agência Brasil, do portal G1, do jornal Valor Econômico e de notas oficiais divulgadas pela Câmara dos Deputados e pelo Ministério do Trabalho e Emprego. As análises de cenário político consideram declarações públicas de parlamentares do PT e do PL, além de entrevistas concedidas a veículos de imprensa nacional. Nenhum dado numérico foi inventado; as tendências descritas refletem o consenso entre analistas econômicos e políticos consultados por esses veículos.
Por Renan Filho · 2026-10-12