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Em uma declaração que repercutiu imediatamente nos corredores do Palácio do Campo das Princesas e nas redes sociais, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, afirmou nesta quinta-feira (8) que não pretende declarar apoio ao presidente da República no pleito de 2026. A fala foi feita durante um encontro fechado com lideranças do PSDB no Recife, mas rapidamente vazou para a imprensa. “Não vou declarar apoio a presidente da República”, teria dito Lyra, segundo relatos de participantes. A declaração representa um distanciamento público do Palácio do Planalto em um momento em que o governo federal tenta consolidar alianças para a reeleição.
**Contexto**
A governadora pernambucana, filiada ao PSDB desde o início de sua carreira política, sempre manteve uma postura de independência em relação ao governo federal, mesmo quando seu partido integrava a base aliada. Raquel Lyra foi eleita em 2022 com uma plataforma de renovação e eficiência administrativa, tendo enfrentado o então candidato apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde que assumiu o cargo, ela tem evitado alinhamentos automáticos com Brasília, priorizando a agenda de seu estado.
A relação com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nunca foi próxima. Lyra não compareceu a eventos do governo federal em Pernambuco e criticou publicamente a política de incentivos fiscais federais que, segundo ela, prejudica a arrecadação estadual. Agora, a poucos meses da eleição presidencial de outubro de 2026, a governadora deixa claro que não estará na trincheira do petista.
O PSDB, que já foi o principal partido de oposição ao PT, atravessa uma fase de fragmentação. Enquanto parte da sigla, como o senador José Serra, já sinalizou apoio à reeleição de Lula em troca de cargos e emendas, a ala mais jovem, representada por Lyra, resiste a essa aproximação. A declaração também ocorre em meio à especulação de que a governadora pode ser candidata à vice-presidência em uma chapa encabeçada por um nome de centro-direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou até mesmo disputar a Presidência pelo PSDB, embora a legenda tenha perdido relevância nacional.
**Análise**
A recusa de Raquel Lyra em apoiar o presidente da República tem implicações que vão além da política pernambucana. Ela expõe a dificuldade do Palácio do Planalto em consolidar uma base eleitoral no Nordeste, região historicamente favorável ao PT. Em 2022, Lula venceu em todos os estados nordestinos, mas a gestão de Lyra, que tem aprovação moderada, mostra que há espaço para dissidências locais.
Para o governo federal, a perda de um apoio declarado de uma governadora de um estado populoso como Pernambuco — com mais de 9 milhões de eleitores — é um sinal de alerta. A estratégia do Planalto tem sido a de atrair governadores de partidos de centro por meio de liberação de emendas e investimentos federais. No caso de Pernambuco, o governo já anunciou obras como a duplicação da BR-232 e recursos para o sistema de saúde, mas isso não foi suficiente para garantir a lealdade de Lyra.
Por outro lado, a postura da governadora a fortalece internamente no PSDB e a projeta como uma voz independente, capaz de dialogar com eleitores cansados da polarização entre Lula e Bolsonaro. Caso decida apoiar um candidato de centro, ela pode exercer influência em um eventual segundo turno. Especialistas apontam que, ao não se comprometer com nenhum dos dois polos, Lyra adota um risco calculado: perde o acesso a recursos federais imediatos, mas ganha capital político para negociações futuras.
A fala “Não vou declarar apoio a presidente da República” também deve ser lida como um recado à própria legenda. A governadora quer deixar claro que não seguirá a orientação da cúpula nacional do PSDB, que tem se aproximado do governo Lula. Em 2026, o partido pode lançar candidatura própria ou apoiar um nome de terceira via, e a posição de Lyra será crucial para definir o rumo da sigla no Nordeste.
**Fontes**
A informação foi obtida por meio de relatos de participantes do encontro fechado do PSDB realizado no Recife, na manhã desta quinta-feira (8 de outubro de 2026), e confirmada por assessores da governadora que preferiram não se identificar. A declaração foi repercutida por veículos locais como o Diario de Pernambuco e a Folha de S.Paulo, que também publicaram notas confirmando a recusa de Lyra em apoiar a reeleição do presidente Lula. Até o fechamento desta edição, o Palácio do Planalto não havia se pronunciado oficialmente sobre o assunto.
Por Renan Filho · 2026-10-08