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Politica

Quem é Newton Ramos, ex-juiz auxiliar de Kassio que arrastou ministro do STF para a crise do Master

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-23

Ex-magistrado e hoje advogado, Newton Ramos foi o elo entre o ministro Kassio Nunes Marques e o Grupo Master. O caso expõe os riscos do ativismo judicial e das relações promíscuas entre o Judiciário e o mercado protegido pelo Estado.

O nome de Newton Ramos, ex-juiz auxiliar do ministro Kassio Nunes Marques, no Supremo Tribunal Federal (STF), emergiu como peça central na crise que envolve o Grupo Master, um dos maiores conglomerados financeiros do país. A revelação, feita por fontes do mercado e corroborada por documentos que tramitam na Justiça, mostra como um ex-servidor do STF se tornou o ponto de contato entre o gabinete de um ministro da Corte e os interesses de um banco que agora enfrenta uma intervenção do Banco Central.

Newton Ramos atuou como juiz auxiliar no gabinete de Kassio Nunes Marques entre 2020 e 2022, período em que o ministro consolidou sua posição no STF, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Após deixar o cargo, Ramos retornou à advocacia privada, mas manteve relações estreitas com o gabinete do ministro. Segundo relatos de advogados que atuam em Brasília, Ramos passou a intermediar encontros e a apresentar demandas de clientes diretamente a Nunes Marques, o que levantou suspeitas sobre a imparcialidade do magistrado.

A crise do Grupo Master, que levou o Banco Central a decretar intervenção extrajudicial no banco no último mês, tem como um de seus capítulos mais controversos a atuação de Newton Ramos. Documentos obtidos pela imprensa mostram que Ramos, já na iniciativa privada, manteve contato frequente com executivos do Master e, ao mesmo tempo, agendou reuniões com o gabinete de Kassio Nunes Marques para tratar de temas de interesse do grupo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já abriu uma investigação preliminar para apurar se houve tráfico de influência ou violação do dever de imparcialidade.

O caso ganhou contornos ainda mais graves quando se descobriu que, durante o período em que Ramos atuava como juiz auxiliar, o Grupo Master tinha ao menos três ações em tramitação no STF. Embora não haja evidências de que Nunes Marques tenha proferido decisões favoráveis ao banco, a simples existência de um ex-auxiliar que agora advoga para o mesmo grupo já é suficiente para manchar a credibilidade da Corte. A FORTIS NEWS apurou que, em pelo menos duas ocasiões, Ramos esteve presente em reuniões com lobistas do Master na sede do STF, o que é permitido pelo regimento interno, mas levanta questionamentos éticos.

Por que isso importa? O caso expõe uma fragilidade estrutural do Judiciário brasileiro: a ausência de uma quarentena efetiva para juízes e auxiliares que deixam o serviço público. Enquanto nos Estados Unidos juízes federais precisam esperar um ano antes de advogar em causas que tramitaram em suas cortes, no Brasil a lei permite que ex-magistrados atuem imediatamente, desde que não representem clientes em processos que já julgaram. A brecha legal, no entanto, não impede que eles usem o conhecimento privilegiado e o acesso a colegas para beneficiar clientes.

A FORTIS NEWS defende que o Estado mínimo não é apenas uma questão fiscal, mas também de integridade institucional. Quando o Judiciário se transforma em um balcão de negócios, quem perde é o cidadão que paga impostos e espera justiça. O caso Newton Ramos é um sintoma de um sistema que permite que ex-servidores públicos transformem seus contatos em capital privado, sem qualquer transparência.

Do ponto de vista liberal-conservador, a saída não é mais regulação estatal, mas sim a imposição de regras claras e punições severas para quem as viola. Uma quarentena de ao menos dois anos para ex-juízes e auxiliares, combinada com a obrigatoriedade de declaração de conflitos de interesse, seria um passo civilizatório. O mercado, por sua vez, precisa aprender a valorizar a meritocracia e não o acesso a togas.

Contraponto: defensores de Newton Ramos e do ministro Kassio Nunes Marques argumentam que não há ilegalidade no caso. Em nota à imprensa, a assessoria do ministro afirmou que "todas as reuniões agendadas por Newton Ramos ocorreram dentro da legalidade e com transparência". Já Ramos, em entrevista ao jornal O Globo, disse que "nunca usei minha passagem pelo STF para obter vantagens pessoais ou para clientes". A FORTIS NEWS, no entanto, lembra que legalidade e ética nem sempre caminham juntas. O fato de algo ser permitido pela lei não significa que seja correto ou desejável para a saúde das instituições.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.