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Economia

Miguel Vázquez, o paraguaio que fundou o Ueno Bank e agora mira o mercado brasileiro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-06

Conhecido como um dos principais nomes da fintech paraguaia, Miguel Vázquez lidera a expansão do Ueno Bank para o Brasil. O banco digital, que já conquistou milhões de clientes no Paraguai, aposta em serviços financeiros simplificados e sem tarifas abusivas.

**Lead**

Miguel Vázquez, fundador do Ueno Bank — um dos maiores bancos digitais do Paraguai —, anunciou recentemente planos de expansão para o Brasil. A movimentação coloca o empresário paraguaio no centro das atenções do setor financeiro latino-americano, que observa de perto a estratégia de um banco que nasceu para desburocratizar o acesso a serviços bancários em um país historicamente com baixa inclusão financeira. Vázquez, que começou a carreira no mundo das startups e do venture capital, aposta na experiência adquirida no Paraguai para replicar o modelo no maior mercado da região.

**Contexto**

O Ueno Bank foi fundado em 2020, em Assunção, com a proposta de oferecer uma conta digital gratuita, cartão de débito internacional e transferências instantâneas sem custos. Em menos de cinco anos, a fintech acumulou mais de 2 milhões de clientes no Paraguai, um país com cerca de 7 milhões de habitantes. O crescimento foi impulsionado pela alta penetração de smartphones e pela insatisfação com os bancos tradicionais, que cobravam tarifas elevadas e exigiam burocracia para abertura de contas.

Miguel Vázquez não é um nome novo no ecossistema de inovação. Antes de fundar o Ueno, ele atuou como investidor-anjo e cofundou outras empresas de tecnologia na América Latina. Sua trajetória inclui passagens por aceleradoras e fundos de venture capital nos Estados Unidos e na Europa. A experiência internacional o ajudou a desenhar um modelo de negócio enxuto, com foco em tecnologia própria e atendimento 100% digital. O banco não possui agências físicas e opera com uma equipe enxuta, o que reduz custos e permite repassar a economia aos clientes.

A expansão para o Brasil não é um movimento isolado. O Ueno Bank já havia iniciado operações em outros países da região, como Argentina e Uruguai, mas o mercado brasileiro representa um salto de escala. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e um setor bancário altamente concentrado, com cinco grandes bancos detendo cerca de 80% dos ativos. Apesar do avanço dos bancos digitais nos últimos anos — como Nubank, C6 Bank e Inter —, ainda há espaço para novos entrantes, especialmente aqueles focados em nichos específicos ou em populações subatendidas.

**Análise**

A entrada do Ueno Bank no Brasil ocorre em um momento de maturação do mercado de fintechs. Grandes players já consolidaram milhões de clientes, mas a taxa de crescimento desacelerou. Para competir, o Ueno precisará oferecer diferenciais claros. A proposta de Vázquez é simples: zero tarifas para operações básicas, integração com carteiras digitais e um aplicativo leve, que funcione bem em celulares de entrada. Essa estratégia já funcionou no Paraguai, onde muitos clientes tinham acesso apenas a smartphones básicos e conexões de internet instáveis.

Outro ponto relevante é a regulação. O Banco Central do Brasil tem adotado uma postura favorável à inovação financeira, com marcos como o open banking e o Pix. O Ueno Bank já anunciou que pretende aderir ao Pix desde o primeiro dia de operação no Brasil, além de oferecer transferências internacionais com câmbio competitivo — um serviço que atrai tanto brasileiros que enviam dinheiro para o exterior quanto imigrantes paraguaios residentes no Brasil.

A figura de Miguel Vázquez também chama atenção por seu perfil discreto. Diferente de outros CEOs de fintechs que buscam holofotes, ele prefere manter um perfil baixo e concentrar esforços no produto. Em eventos do setor, costuma destacar que o Ueno Bank não é uma “startup de Vale do Silício”, mas sim uma empresa pensada para a realidade latino-americana, com times locais e suporte em espanhol e português. Essa abordagem pode ser um trunfo em um mercado onde a desconfiança em relação a empresas estrangeiras ainda é alta.

**Fontes**

As informações sobre Miguel Vázquez e o Ueno Bank foram obtidas a partir de reportagens publicadas por veículos de imprensa especializados em tecnologia e finanças, como o portal Fintechs Brasil, o jornal paraguaio ABC Color e comunicados oficiais da empresa. Dados sobre o mercado bancário brasileiro são de conhecimento público e podem ser consultados em relatórios do Banco Central do Brasil e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.