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As queimadas na Amazônia Legal registraram um aumento de 271% no estado do Amazonas em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Diante da escalada dos focos de calor e dos riscos à segurança pública e ambiental, o governo de São Paulo anunciou o envio de 30 agentes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil estadual para reforçar as equipes locais. A medida faz parte de um acordo de cooperação entre os estados e o governo federal, que busca conter a devastação antes do pico da estação seca.
**Contexto**
O Amazonas enfrenta uma das piores temporadas de incêndios dos últimos anos. De acordo com o INPE, foram registrados mais de 12 mil focos de queimadas entre julho e início de outubro de 2026, contra cerca de 3.200 no mesmo intervalo de 2025. O aumento expressivo está associado a uma combinação de fatores: seca prolongada, desmatamento ilegal e práticas criminosas de limpeza de pastagens. A região sul do estado, próxima à divisa com Rondônia e Mato Grosso, concentra a maior parte dos focos, áreas historicamente pressionadas pelo avanço do agronegócio e pela grilagem de terras.
O governo federal já havia decretado situação de emergência em 18 municípios amazonenses, autorizando a mobilização da Força Nacional de Segurança e de brigadas do Ibama. No entanto, a logística de combate é dificultada pela extensão territorial, pela falta de infraestrutura e pela baixa umidade relativa do ar, que chegou a 15% em algumas localidades — nível comparado ao de desertos. Nesse cenário, o apoio de estados como São Paulo se torna estratégico.
Os 30 agentes enviados incluem bombeiros especializados em incêndios florestais, analistas de geoprocessamento e técnicos em logística. Eles levarão equipamentos como drones térmicos, bombas de água portáteis e viaturas adaptadas para terrenos de difícil acesso. A previsão é que permaneçam no Amazonas por até 30 dias, atuando em conjunto com as brigadas locais e com o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
**Análise**
O crescimento de 271% nas queimadas do Amazonas não é apenas um dado alarmante para o meio ambiente — representa uma crise de segurança pública em várias dimensões. A fumaça gerada pelos incêndios já atinge Manaus e outras cidades, elevando os índices de poluição do ar a níveis considerados perigosos pela Organização Mundial da Saúde. Hospitais relatam aumento de atendimentos por problemas respiratórios, e escolas foram fechadas em pelo menos cinco municípios. Além disso, as queimadas ameaçam comunidades indígenas e ribeirinhas, que dependem da floresta para sua subsistência e veem suas casas e roças serem consumidas pelo fogo.
Do ponto de vista da segurança institucional, o envio de agentes de São Paulo evidencia a necessidade de uma resposta integrada entre estados e União. O Amazonas, sozinho, não dispõe de efetivo suficiente para cobrir a vastidão do território afetado. A cooperação, embora bem-vinda, levanta questões sobre a capacidade de coordenação e sobre a falta de um plano nacional permanente de combate a incêndios. Especialistas apontam que o Brasil ainda carece de um sistema de prevenção robusto, que invista em monitoramento por satélite em tempo real, em educação ambiental e em fiscalização rigorosa contra o desmatamento ilegal.
A tendência é que os focos de calor se intensifiquem nas próximas semanas, com a chegada do período mais seco na Amazônia. Se não houver uma ação rápida e coordenada, o número de queimadas pode superar o recorde de 2024, quando a região perdeu mais de 3 milhões de hectares de floresta. O episódio também coloca o Brasil novamente no centro das críticas internacionais, pressionando o governo a demonstrar compromisso com as metas climáticas assumidas em acordos como o Acordo de Paris.
**Fontes**
- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – Programa Queimadas (dados de satélite de referência). - Governo do Estado de São Paulo – Secretaria de Segurança Pública e Corpo de Bombeiros. - Governo do Estado do Amazonas – Defesa Civil e Secretaria de Meio Ambiente. - Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo).
Por Renan Filho · 2026-10-11