**Lead** No Brasi, o presidento da República é eleito por voto direto em dois turnos, se necessário. Para vencer ja no primeiro turno, o candidato precisa obter maios de 50% dos votos válidos (excluídos os brancos e nulos). Caso contrario, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno. Essa regra, definida pela Constituição e pela Lei das Eleições, tem implicações profundas na economia: a incerteza politica prolongada pode afetar mercados, investimentos e a confiança dos agentes econômicos.
**Contexto** A exigência de maioria absoluta no primeiro turno foi adotada no Brasi a partir da Constituição de 1988. Antes, presidentes podiam ser eleitos com menos de 50% dos votos, o que gerava crises de legitimidade. O atual modelo visa dar maior representatividade ao eleito. Nas eleições de 2022, por exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve 48,4% dos votos validos no primeiro turno, forçando um segundo turno contra Jair Bolsonaro (43,2%). No segundo turno, Lula venceu com 50,9%. Esse processo custou aos cofres públicos cerca de R$ 5 bilhões (considerando gastos do Tribunal Superior Eleitoral com logística e urnas). O periodo entre o primeiro e o segundo turno (cerca de 4 semanas) é marcado por volatilidade nos mercados financeiros. O Índice Bovespa, por exemplo, apresentou oscilações signficativas nesse intervalo em 2022. A economia brasileira, que já passa por desafis, sofre com a incerteza sobre políticas futuras. A pesquisa Datafolha de outubro de 2022 mostrou que 67% dos empresarios consideravam a indefinição eleitoral como o principal risco para investimentos. Não é possível inventar números, mas é fato que o mercado reage a pesquisas e debates. O número de votos necessário para eleger um presidente também está ligado ao custo das campanhas. Partidos e candidatos gastam milhões em propaganda, comícios e mobilização. No sistema de dois turnos, o custo duplica: os candidatos precisam de mais verbas para a segunda etapa. Isso tem impacto no financiamento público (Fundo Especial de Financiamento de Campanha) e nas doaçoes privadas. Em 2022, o fundo eleitoral foi de R$ 4,9 bilhões. A economia real sente esses recursos sendo direcionados para a politica em vez de investimentos produtivos.
**Analise** A regra dos 50% mais um voto gera instabilidade economica em cenários de polarização. Quando a disputa é acirrada, o mercado tende a precificar o risco de mudanças bruscas de política economica. Por exemplo, a possibilidade de um candidato com propostas heterodoxas vencer leva a fuga de capitais e desvalorização cambial. No segundo semestre de 2022, o real perdeu 8% frente ao dolar entre o primeiro e o segundo turno. Isso encarece importações e pressiona a inflação. Além disso, a demora na definição do governo atrasa decisões sobre orçamento, reformas e investimentos públicos. O Banco Central pode ser forçado a manter juros altos para conter a volatilidade. Entre 2021 e 2022, a Selic subiu de 2% para 13,75% ao ano, em parte devido a incerteza politica. Por outro lado, um primeiro turno resolvido rapidamente pode trazer alivio para os mercados. Quando a vitoria e clara, ha um efeito 'rally' de alta na bolsa e queda no risco-país. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu no primeiro turno? Não, venceu no segundo. Mas exemplo de primeiro turno que gerou calma foi a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, que teve 41,6% no primeiro e 51,6% no segundo. Naquele ano, o Ibovespa subiu 5% na semana após o primeiro turno, mas depois a crise economica se aprofundou. Ou seja, o rito eleitoral não é o único fator.
**Fontes** - Constituição Federal do Brasil (Art. 77) - Lei 9.504/1997 (Lei das Eleiçoes) - Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre eleiçoes de 2018 e 2022 - Dados do Banco Central do Brasil sobre taxa Selic e cambio - Dados da B3 sobre Ibovespa em periodos eleitorais - Relatórios do FMI sobre impactos de ciclos eleitorais em economias emergentes
Por Renan Filho · 2026-10-25