A mais nova pesquisa Quaest, encomendada pela Rádio Gaúcha e divulgada nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, revela uma virada conservadora no Rio Grande do Sul. O deputado federal Luciano Zucco (PL) aparece com 29% das intenções de voto, abrindo vantagem de seis pontos percentuais sobre a petista Juliana Brizola (PT), que soma 23%. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca Zucco em vantagem fora do empate técnico.
O cenário é um termômetro importante para a eleição de 2026 no Estado que, historicamente, oscila entre o trabalhismo brizolista e o liberalismo econômico. A pesquisa ouviu 1.200 eleitores presencialmente entre os dias 20 e 22 de setembro. O levantamento tem nível de confiança de 95%. Os dados brutos da pesquisa, conforme registro no TSE sob o protocolo RS-04568/2026, mostram que Zucco cresceu em todas as faixas etárias e regiões do Estado desde o levantamento anterior, de julho.
O ex-deputado federal e atual vice-governador Gabriel Souza (MDB) aparece em terceiro, com 9%, enquanto o senador Luis Carlos Heinze (PP) registra 7%. O nome do PSDB, o ex-prefeito de Caxias do Sul, Daniel Guerra, tem 3%. Brancos e nulos somam 12%, e indecisos chegam a 17%. Os números indicam que a polarização entre o campo liberal-conservador e a esquerda tradicional gaúcha está consolidada.
**Por que isso importa**
A vantagem de Zucco, um nome sem grande exposição nacional até 2022, sobre uma das herdeiras políticas do ex-governador Leonel Brizola sugere que o eleitorado gaúcho busca alternativas à velha política assistencialista. O Rio Grande do Sul, que desde 2015 enfrenta uma crise fiscal crônica com sucessivos aumentos de impostos e serviços públicos precários, parece querer dar um freio de arrumação no modelo estatizante. O governo atual, de Eduardo Leite (PSDB), implementou um tímido programa de privatizações, mas a dívida pública do Estado ainda beira os R$ 90 bilhões, e a carga tributária é uma das mais altas do país.
**Análise FORTIS: O antipetismo e o cansaço com o Estado inchado**
Os números da Quaest refletem um fenômeno que o FORTIS NEWS vem apontando desde 2024: o eleitor gaúcho está rejeitando o discurso do estado provedor e abraçando a tese do estado mínimo e do livre mercado. Zucco, que construiu sua carreira como empresário e deputado combativo, defende abertamente a redução da máquina pública, a privatização de estatais deficitárias como a CEEE e a Sulgás, e a simplificação tributária. Juliana Brizola, por sua vez, tenta surfar na memória afetiva do brizolismo, mas seu partido, o PT, carrega o estigma da corrupção sistêmica e da gestão econômica desastrosa que levou o país a uma inflação de dois dígitos em 2025.
Dados do IBGE mostram que o Rio Grande do Sul teve um crescimento do PIB de apenas 0,8% em 2025, contra a média nacional de 1,9%. O desemprego no Estado é de 9,3%, acima da média brasileira de 8,1%. Esses números são combustível para a candidatura de Zucco, que promete desregulamentação e incentivos fiscais para atrair investimentos. A petista, por outro lado, propõe aumentar ainda mais os gastos públicos e criar novos tributos sobre grandes fortunas, uma agenda que historicamente fracassou na América Latina, transformando países como a Argentina em casos de estagnação eterna.
**Contraponto: O que dizem os críticos**
É preciso, contudo, evitar o ufanismo simplório. Críticos apontam que Zucco tem pouca experiência administrativa e que suas propostas de cortes podem prejudicar setores já fragilizados, como a saúde pública no interior. Em nota oficial de sua assessoria, Juliana Brizola afirmou que “a pesquisa mostra uma disputa acirrada e que a verdadeira mudança virá com o fortalecimento do SUS e da educação pública”. Ela também criticou as privatizações, dizendo que “entregar o patrimônio do povo gaúcho a grupos privados é um erro histórico”. Essas alegações, no entanto, ignoram que o Estado já provou ser um péssimo gestor: a CEEE acumulou mais de R$ 15 bilhões em passivos e teve que ser socorrida com dinheiro público em 2023.
**1. Zucco venceria no segundo turno?** Segundo a mesma Quaest, no simulado de segundo turno, Zucco tem 46% contra 38% de Juliana Brizola. A vantagem é de 8 pontos, dentro da margem de erro, indicando que a eleição ainda está aberta. A rejeição de Zucco é de 31%, enquanto a de Brizola chega a 39%, um dado que favorece o conservador.
**2. O que explica o voto em Zucco?** A pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Locomotiva em agosto de 2026 mostrou que 68% dos eleitores gaúchos consideram a economia e o emprego como o tema mais importante para o voto em 2026. Zucco capitaliza exatamente sobre essa preocupação, com um discurso direto de redução de burocracia e combate à corrupção. Já Brizola foca em pautas identitárias e de redistribuição de renda, que, segundo o mesmo levantamento, são prioridade para apenas 14% do eleitorado.
Por Renan Filho · 2026-09-25