Pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo e divulgada nesta quarta-feira (23 de setembro de 2026), aponta o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança isolada para o primeiro turno da eleição ao Governo de São Paulo, com 44% das intenções de voto. O ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparece com 27%, uma diferença de 17 pontos percentuais. O levantamento ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre os dias 20 e 22 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O cenário indica que, mesmo com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a máquina federal, Haddad não consegue reverter a percepção negativa de sua gestão anterior na cidade de São Paulo (2013-2016) e a associação com a política fiscal expansionista do governo federal, que elevou a carga tributária e a dívida pública nos últimos anos. Na pesquisa estimulada, onde os nomes dos candidatos são apresentados, Tarcísio mantém vantagem robusta, enquanto Haddad oscila dentro da margem de erro em relação ao levantamento anterior, de agosto, quando tinha 25%.
O levantamento também testou cenários de segundo turno. Em uma eventual disputa entre Tarcísio e Haddad, o atual governador venceria com 52% contra 32% dos votos válidos. O número de eleitores que declaram voto nulo ou branco chega a 12%, o que sinaliza descontentamento com a polarização nacional e com a falta de propostas concretas da oposição para o estado.
**Por que isso importa**
A pesquisa consolida a avaliação de que a agenda liberal-conservadora implementada por Tarcísio — com ênfase em desburocratização, concessões à iniciativa privada, redução de ICMS para setores produtivos e investimentos em segurança pública — tem ressonância entre o eleitorado paulista. O estado de São Paulo, que responde por cerca de 30% do PIB nacional, vive um ciclo de recuperação econômica impulsionado por reformas microeconômicas, como a simplificação de licenças ambientais e a ampliação das parcerias público-privadas (PPPs) em infraestrutura.
Enquanto isso, Haddad enfrenta o desgaste de ter comandado a prefeitura paulistana em um período de crise fiscal, com aumento de impostos municipais e paralisia em obras estruturantes, como a expansão do metrô. A gestão petista à época foi marcada por denúncias de corrupção no sistema de transporte (caso “Máfia dos Ônibus”) e pelo rombo nas contas públicas, herdado pelo sucessor João Doria (PSDB) em 2017.
**Análise FORTIS**
Os dados da Quaest confirmam a tese de que o eleitor paulista, tradicionalmente mais pragmático e informado, não se deixa levar pelo discurso nacional de polarização entre Lula e Bolsonaro. Tarcísio, embora aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu uma imagem de gestor técnico, distante do radicalismo político. Sua aprovação entre os eleitores do centro e até de parte da centro-esquerda se deve a resultados concretos: a segurança pública apresentou queda de 18% nos índices de roubos e furtos em 2025, segundo dados da SSP-SP, e o estado manteve o equilíbrio fiscal, com superávit primário de R$ 12 bilhões no último exercício.
Já Haddad repete o erro estratégico da esquerda brasileira: apostar em promessas de gasto público sem lastro fiscal, como a ampliação do Bolsa Família estadual e a criação de um “Renda Mínima Paulista”, que exigiram aumento de impostos ou endividamento. Em um estado com a maior arrecadação do país, a população rejeita o modelo de “Estado babá” que historicamente só gera inflação, ineficiência e corrupção.
**Contraponto**
A campanha de Haddad argumenta que a pesquisa ainda reflete um cenário inicial, com alta taxa de indecisos (12% no primeiro turno) e que a eleição será decidida no segundo turno, quando o petista pode se beneficiar do voto útil contra o bolsonarismo. No entanto, os números mostram que, mesmo entre os eleitores que declaram rejeitar Tarcísio, apenas 38% migram automaticamente para Haddad. O restante distribui-se entre candidatos de terceira via, como o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil) e a professora Marina Silva (Rede), que juntos somam 9%.
Outro ponto frágil da narrativa petista é a tentativa de associar Tarcísio à agenda de privatizações “entreguistas”. Na prática, o governador promoveu concessões de rodovias, ferrovias e do sistema prisional que geraram economia de R$ 8 bilhões aos cofres públicos e melhoraram a qualidade dos serviços, sem vender o patrimônio do estado. O discurso de “privataria” não cola em um eleitorado que vê as estradas conservadas e as prisões com menos rebeliões.
**1. A pesquisa Quaest é confiável?** Sim. A Quaest é um dos institutos mais respeitados do país, com metodologia presencial e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A margem de erro de 2 pontos percentuais e o nível de confiança de 95% são padrões internacionais. O levantamento foi contratado pela TV Globo, que tem histórico de auditoria rigorosa dos dados.
**2. O que explica a vantagem de Tarcísio sobre Haddad em São Paulo?** Basicamente, a percepção de gestão eficiente. Tarcísio entrega resultados em segurança pública, infraestrutura e equilíbrio fiscal, enquanto Haddad carrega o estigma de uma gestão municipal marcada por aumento de impostos, escândalos e obras paradas. O eleitor paulista valoriza mais o mérito do que o viés ideológico.
Por Renan Filho · 2026-09-23