A mais recente pesquisa do instituto Quaest, encomendada pela Rádio Jornal e divulgada nesta quarta-feira (23), acendeu o sinal amarelo nos dois principais palanques de Pernambuco. No cenário estimulado para a sucessão presidencial de 2026 dentro do estado, a governadora Raquel Lyra (PSDB) aparece com 41% das intenções de voto, enquanto o prefeito do Recife, João Campos (PSB), marca 39%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, o que coloca os dois candidatos em empate técnico.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores em 60 municípios pernambucanos entre os dias 20 e 23 de setembro, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-12345/2026. É importante destacar que o cenário é hipotético: nem Lyra nem Campos oficializaram candidatura ao Planalto. Ambos são cotados como possíveis nomes de seus respectivos campos políticos, mas ainda não há confirmação.
Por que isso importa? Pernambuco é o oitavo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 9 milhões de eleitores. O empate técnico revela uma disputa acirrada em um estado historicamente polarizado entre as forças de centro-direita e esquerda. Raquel Lyra, filiada ao PSDB, tem pautado sua gestão estadual em ajuste fiscal, corte de despesas e modernização da máquina pública — bandeiras que dialogam com o eleitorado liberal-conservador. João Campos, do PSB, aposta em uma plataforma de continuidade dos programas sociais do governo Lula, com forte presença da máquina federal no estado, incluindo obras do PAC e transferências de renda.
Análise FORTIS: Os números surpreendem porque contrariam a expectativa de que o apoio explícito do Palácio do Planalto a Campos — por meio de convênios e nomeações — lhe garantiria vantagem confortável. Lyra, mesmo enfrentando resistência de corporações sindicais e parte do funcionalismo público por causa de medidas de austeridade, consegue manter liderança numérica. Isso sugere que o eleitor pernambucano está cada vez mais sensível ao discurso de responsabilidade fiscal e menos suscetível ao clientelismo tradicional. A alta carga tributária, o crescimento lento da economia e a percepção de insegurança pública no estado podem estar pesando a favor de uma candidatura que se apresente como alternativa à hegemonia do PT e do PSB.
Contraponto: É preciso ponderação. A pesquisa mede apenas o cenário intraestadual, e o nome de Lyra ainda é pouco conhecido fora de Pernambuco. João Campos, por sua vez, tem capital político acumulado pela gestão na capital e pelo sobrenome herdado do pai, o ex-governador Eduardo Campos. A oposição local argumenta que a vantagem de Lyra pode ser explicada pelo efeito “cargo majoritário” — governadores tendem a ter mais exposição do que prefeitos — e que, em uma campanha nacional, Campos teria mais recursos e tempo de TV. A esquerda também aponta que o ajuste fiscal de Lyra, embora aprovado por agentes de mercado, ainda não se traduziu em melhoria concreta nos serviços de saúde e educação, o que pode limitar seu teto eleitoral.
O debate público deve se intensificar nos próximos meses, à medida que os partidos definirem suas pré-candidaturas. O FORTIS NEWS continuará monitorando todos os levantamentos com rigor factual, sem ceder a narrativas partidárias. Os dados da Quaest indicam que, pelo menos em Pernambuco, o eleitor está dividido entre a promessa de gestão eficiente e o apelo dos programas sociais — um microcosmo do dilema nacional.
Por Renan Filho · 2026-09-23