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Quaest: Marcos Rogério lidera em Rondônia com 37%; Adailton Fúria tem 21% — e o antipetismo segue intacto

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira mostra o senador Marcos Rogério (PL) consolidado na liderança pela sucessão estadual, com vantagem de 16 pontos sobre o candidato do PSDB. O cenário reforça a força do eleitorado conservador rondoniense e expõe a fragilidade das alianças de centro-esquerda no estado.

A mais recente pesquisa Quaest, contratada pela Rede Amazônica e divulgada nesta sexta-feira (25), confirma o que as ruas de Porto Velho já sinalizavam: o senador Marcos Rogério (PL) lidera a disputa pelo governo de Rondônia com 37% das intenções de voto, contra 21% do deputado federal Adailton Fúria (PSDB). O levantamento, registrado no Tribunal Regional Eleitoral sob o protocolo RO-04298/2026, ouviu 1.200 eleitores entre os dias 21 e 23 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O cenário coloca o ex-juiz e atual senador em posição privilegiada para vencer em primeiro turno, algo que não ocorre no estado desde 2014. A vantagem de 16 pontos sobre o tucano — que cresceu apenas dois pontos desde a última medição, em julho — indica que a migração natural do eleitorado conservador rumo ao PL não encontrou resistência. O levantamento ainda mostra o ex-governador Confúcio Moura (MDB) com 9%, o deputado estadual Laerte Gomes (PSD) com 5%, e a professora Simone (PT) com 4%, enquanto 12% se declaram indecisos e 12% afirmam votar em branco ou nulo.

O que explica a dianteira de Marcos Rogério? Em primeiro lugar, o eleitor rondoniense associa o senador à agenda de segurança pública e ao combate à corrupção, bandeiras que renderam a ele a maior votação proporcional do estado para o Senado em 2022, com mais de 60% dos votos válidos. Em segundo, a rejeição ao PT segue alta: 45% dos entrevistados dizem que não votariam de jeito nenhum na candidata petista, um número que praticamente inviabiliza qualquer crescimento de Simone — que ainda não decolou nas pesquisas qualitativas.

Por que isso importa? Rondônia é uma das fronteiras agrícolas mais dinâmicas do país, com o agronegócio respondendo por mais de 30% do PIB estadual. O estado vive um dilema clássico: precisa de infraestrutura logística para escoar a produção — especialmente a BR-319, que liga Porto Velho a Manaus — e de um ambiente de negócios que reduza a burocracia e a carga tributária. Marcos Rogério tem defendido publicamente a privatização da Ceasa-RO e a concessão de rodovias estaduais, pautas que encontram eco no eleitorado produtivo, mas que esbarram na resistência do funcionalismo público e de setores do judiciário local.

A pesquisa também revela um dado que os estrategistas do PSDB preferem ignorar: Adailton Fúria, apesar do crescimento, continua com rejeição de 34%, apenas seis pontos abaixo da petista. O tucano, que construiu sua carreira como apresentador de TV e deputado federal com perfil popular, ainda é visto com desconfiança pelo eleitorado de centro-direita, que não perdoa sua aliança com o MDB de Confúcio Moura — o mesmo grupo que governou o estado por oito anos com obras inacabadas e denúncias de superfaturamento.

Análise FORTIS: a eleição rondoniense é um termômetro do que pode ocorrer em outros estados do arco do desmatamento, onde o discurso de desenvolvimento sustentável da esquerda não encontra ressonância prática. O eleitor local sabe que o crescimento do agronegócio — que responde por 60% das exportações do estado — depende de segurança jurídica, infraestrutura e menos Estado. Marcos Rogério, ao contrário de seus adversários, tem um discurso coeso de liberalismo econômico, embora sua base evangélica e ruralista exija atenção especial à pauta de costumes. O risco, porém, é o mesmo de outros estados: a gestão estadual do PL tem sido marcada por conflitos com o Tribunal de Contas e por uma máquina pública ainda refém de indicações políticas. Se eleito, o senador precisará demonstrar que o discurso de eficiência se traduz em reforma administrativa real — não apenas em cortes de cargos comissionados.

Contraponto: a vantagem de Marcos Rogério não é inexpugnável. A pesquisa mostra que 24% dos eleitores ainda não têm preferência consolidada, e a eleição pode ser decidida no segundo turno se a abstenção — historicamente alta no estado, chegando a 21% em 2022 — se repetir. Além disso, o PL local enfrenta uma crise interna: o partido está dividido entre a ala ligada ao governador atual, Coronel Marcos Rocha, e a ala do senador, que quer renovar a gestão. Se essa disputa vazar para a opinião pública, pode corroer a imagem de unidade que o candidato tenta projetar. Por fim, a Justiça Eleitoral ainda julga recursos sobre a elegibilidade de Adailton Fúria, que responde a uma ação de improbidade por suposto uso da máquina pública quando era prefeito de Cacoal — caso seja barrado, o cenário muda completamente.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.