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Empate técnico no 2º turno? Quaest mostra Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no 1º turno; cenário de virada liberal

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (19) aponta o presidente Lula com 37% das intenções de voto contra 33% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno simulado, os dois aparecem empatados tecnicamente, com 44% cada. O dado acende alerta no Planalto e reforça a tese de que o bolsonarismo sobrevive sem Jair Bolsonaro.

O instituto Quaest divulgou nesta sexta-feira (19) nova rodada da pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, mostra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O número surpreende analistas de mercado justamente pela resiliência do nome de Flávio Bolsonaro. Sem o pai, Jair Bolsonaro (inelegível até 2030), o filho 01 conseguiu consolidar o eleitorado conservador e agora ameaça levar a disputa para o segundo turno. No cenário simulado de segundo turno, Lula e Flávio aparecem empatados com 44% cada — empate técnico dentro da margem de erro.

O contexto político-econômico ajuda a explicar o fenômeno. A inflação acumulada em 12 meses ultrapassou os 6%, o dólar ronda os R$ 6,20 e o desemprego voltou a subir nas regiões metropolitanas. Em publicação nas redes sociais, o economista Rodrigo Constantino afirmou que “o eleitor médio já percebeu que o discurso de responsabilidade fiscal de Lula era falso”. O governo tenta culpar fatores externos, mas o mercado financeiro reage com desconfiança.

Por que isso importa? Porque a pesquisa sinaliza que o antipetismo não morreu. Flávio Bolsonaro, mesmo com rejeição elevada (45% dizem que não votariam nele de jeito nenhum), conseguiu reter o núcleo duro do bolsonarismo. A diferença de apenas quatro pontos no primeiro turno, dentro da margem de erro, coloca Lula em situação de fragilidade. Se a economia não melhorar até outubro, o segundo turno pode ser uma roleta-russa para o PT.

A análise FORTIS aponta que o cenário é favorável a uma agenda liberal. Flávio Bolsonaro, embora tenha um histórico estatista em alguns votos, adotou nos últimos meses um discurso de redução de impostos e desburocratização. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, o deputado defendeu a aprovação da reforma administrativa e a privatização de estatais. O mercado vê com bons olhos essa guinada, mesmo que tardia. O problema é que o candidato carrega o estigma de “filho do Bolsonaro”, o que afasta o eleitorado de centro.

O contraponto vem dos institutos de pesquisa ligados ao PT. Em nota oficial, o diretor do Datafolha, Luciano Chong, afirmou que “a rejeição a Flávio é muito alta e ele não tem capilaridade no Nordeste”. De fato, a pesquisa Quaest mostra Lula com 52% no Nordeste contra 22% de Flávio. A vantagem do petista na região é de 30 pontos percentuais, o que pode garantir a vitória já no primeiro turno se a abstenção for baixa. No entanto, o Sul e o Centro-Oeste compensam: Flávio lidera com 44% e 41%, respectivamente.

Outro ponto de atenção é o impacto da inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Em declaração à imprensa, o ex-presidente disse que “Flávio é meu herdeiro político e tem total capacidade de vencer Lula”. Mas a ausência do nome forte na urna pode desmobilizar parte do eleitorado mais radical. Pesquisas qualitativas indicam que 12% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 ainda não decidiram em quem votar ou declararam voto nulo. Flávio precisa conquistar esse contingente.

O mercado financeiro reagiu com cautela ao dado. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) operou em leve alta após a divulgação, enquanto o dólar recuou 0,3%. Em relatório enviado a clientes, o banco Credit Suisse destacou que “a polarização entre Lula e um nome da direita radical mantém a incerteza fiscal”. Para o analista da XP Investimentos, Fernando Genta, “o empate técnico no segundo turno é o pior cenário para o mercado, pois nenhum dos dois tem compromisso claro com o ajuste fiscal”.

A pesquisa também testou outros nomes. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece com 6% no primeiro turno, mas não foi incluído no segundo turno simulado. O ex-ministro Sergio Moro (União Brasil) tem 4%. O cenário indica fragmentação da direita, o que favorece Lula. Se Flávio não conseguir unificar o campo conservador, a reeleição do petista fica mais provável.

No campo das redes sociais, a repercussão foi intensa. Em publicação no Twitter, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) escreveu: “A pesquisa mostra que o bolsonarismo sem Bolsonaro é viável, mas precisa de um programa econômico crível. Flávio tem que parar de falar só em pautas de costumes e mostrar que sabe de economia.” Já o senador Humberto Costa (PT-PE) disse, em entrevista à Rádio CBN, que “a pesquisa é um retrato do momento, mas não reflete a tendência de crescimento de Lula após o lançamento de novas medidas sociais”.

A FORTIS NEWS avalia que o cenário mais provável é o de segundo turno. Com a economia patinando e a rejeição a Lula crescendo (43% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum), a chance de Flávio Bolsonaro forçar uma decisão em outubro é real. O que falta ao candidato é um plano de governo detalhado que convença o eleitorado de centro. Se ele conseguir apresentar propostas liberais concretas — como a simplificação tributária e a abertura comercial —, pode virar o jogo.

O contraponto final é que Lula ainda tem o maior tempo de televisão e a máquina pública a seu favor. O governo anunciou nesta semana um novo programa de crédito consignado para beneficiários do Bolsa Família, medida claramente eleitoreira. A economia pode melhorar artificialmente nos próximos meses com o aumento dos gastos públicos. Mas o mercado já precifica uma deterioração fiscal. O risco de calote da dívida pública é real.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.