**Lead**
Uma nova pesquisa do instituto Quaest, divulgada nesta terça-feira, revela um empate técnico entre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), na disputa pela Presidência da República no estado. Ambos registraram 42% das intenções de voto entre os eleitores pernambucanos, configurando um cenário de forte polarização local em meio à corrida nacional. O levantamento, realizado entre os dias 20 e 25 de setembro, ouviu 1.200 eleitores em 40 municípios do estado, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
**Contexto**
João Campos, prefeito de Recife desde 2021 e herdeiro político do ex-governador Eduardo Campos, consolidou-se como uma das principais lideranças do PSB no Nordeste. Sua gestão na capital pernambucana é avaliada positivamente por 65% da população, segundo dados recentes do Datafolha, o que lhe confere capital político para projetar uma candidatura presidencial. Raquel Lyra, por sua vez, assumiu o governo de Pernambuco em 2023 após vencer uma disputa acirrada contra o candidato do PT. Sua administração tem focado em segurança pública e reformas administrativas, mas enfrenta desafios como a crise hídrica no interior do estado.
A pesquisa Quaest insere-se em um contexto de indefinição sobre o cenário sucessório de 2026. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não confirmou se buscará a reeleição, nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e da ex-senadora Marina Silva (Rede) também são cotados. No Nordeste, a força de Campos e Lyra reflete a importância da região como colégio eleitoral decisivo — em 2022, Lula obteve 69% dos votos no estado no segundo turno.
**Análise**
O empate técnico entre João Campos e Raquel Lyra em Pernambuco sinaliza que a disputa presidencial pode ter um forte componente regional. Ambos os políticos representam vertentes do centro-esquerda e do centro, respectivamente, mas com bases eleitorais que se sobrepõem no estado. A ausência de um nome do PT na pesquisa — o partido não foi incluído no cenário testado — sugere que a legenda pode estar perdendo espaço no Nordeste para lideranças locais mais jovens. Para Campos, a vantagem é a alta aprovação em Recife e a memória positiva do legado de seu pai. Para Lyra, o controle da máquina estadual e a capacidade de entregar obras e programas sociais podem ser diferenciais.
Se mantido o cenário nacional, a polarização entre um candidato do PSB e outro do PSDB pode fragmentar o voto de centro e beneficiar candidatos mais ao extremo, como os ligados ao bolsonarismo. No entanto, a pesquisa Quaest mostra que, em Pernambuco, a disputa ainda está aberta, com 16% dos eleitores indecisos ou dispostos a votar em outros nomes. A tendência é que, conforme as campanhas avancem, os dois políticos intensifiquem a presença no interior do estado, onde Lyra tem maior penetração, enquanto Campos foca na Região Metropolitana do Recife.
**Fontes**
- Pesquisa Quaest, divulgada em 29 de setembro de 2026, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01234/2026. - Dados históricos de votação no estado de Pernambuco fornecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). - Avaliações de gestão pública do Datafolha e do instituto Ipsos, disponíveis em seus respectivos portais.
Por Renan Filho · 2026-09-29