Uma nova pesquisa do instituto Quaest, encomendada pela TV Mirante e divulgada nesta sexta (26), coloca Eduardo Braide (PSD) na liderança isolada da corrida para o Governo do Maranhão em 2026, com 46% das intenções de voto na estimulada. O levantamento, registrado no TSE sob o número MA-03010/2026, foi realizado presencialmente entre 23 e 25 de setembro, com 1.200 eleitores de 40 municípios maranhenses. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Os números representam um terremoto político em um estado onde o clã Sarney — hoje representado pelo senador Flávio Dino (PSB) e pelo ex-governador Roseana Sarney (MDB) — domina a cena institucional desde a redemocratização. Braide, prefeito de São Luís reeleito em 2024 com 74% dos votos válidos, aparece com vantagem de 18 pontos sobre o segundo colocado, Fábio Macedo (PSB), que pontua 28%. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) aparece com 12%; o senador Weverton Rocha (PDT) tem 6%; e Carlos Brandão (Republicanos), atual governador, registra apenas 5% — um indicativo claro de desgaste da máquina pública estadual.
Na pesquisa espontânea — quando não são apresentados nomes aos eleitores — Braide também lidera com 21%, contra 14% de Macedo. O dado é relevante porque mede o recall de marca política sem o viés da lista de candidatos, sinalizando que o nome do prefeito paulistano já está consolidado no eleitorado.
Por que isso importa: O resultado da Quaest expõe uma fragilidade estrutural do modelo de gestão estadual vigente. O Maranhão, sob administrações do PSB e do Republicanos (ambos satélites do PT no estado), apresenta indicadores sociais que contradizem o discurso de eficiência pública. Segundo dados do Tesouro Nacional de 2025, o estado compromete 63% da Receita Corrente Líquida com Folha de Pagamento — acima do limite prudencial de 54% da LRF — e tem uma dívida consolidada de R$ 14,3 bilhões. O crescimento médio do PIB maranhense nos últimos cinco anos (2020-2025) foi de 1,8% ao ano, contra 2,6% da média nacional. Gasta-se muito, tributa-se o pequeno empreendedor e entrega-se pouco ao cidadão.
A gestão Braide em São Luís, ao contrário, tem sido marcada por reformas de desburocratização e redução de cargos comissionados. Em 2025, a prefeitura cortou 30% do funcionalismo de confiança — medida que gerou economia de R$ 120 milhões ao ano, segundo dados do portal da transparência municipal. A cidade também registrou queda de 22% nos homicídios entre 2024 e 2025, conforme o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública — resultado que contrasta com o aumento de 8% na violência no interior do estado no mesmo período.
Análise FORTIS: A liderança de Braide não é fruto de marketing ou de alianças fisiológicas. Ela reflete um fenômeno mais profundo: o cansaço do eleitor maranhense com o modelo de Estado grande, ineficiente e capturado por oligarquias familiares. O clã Sarney, com décadas de controle sobre cargos, emendas e concessões de rádio e TV no estado, vê sua influência diminuir diante de uma gestão orientada por resultados, eficiência fiscal e combate ao patrimonialismo. Braide, ex-juiz e ex-deputado federal, construiu uma imagem de gestor técnico e apartidário — ingrediente que atrai tanto o eleitor conservador quanto o liberal desencantado com o lulismo.
Contraponto: Os críticos de Braide apontam que sua popularidade ainda está concentrada na capital e nas cidades médias, enquanto o interior do Maranhão continua dominado por currais eleitorais historicamente controlados pelo PSB e pelo PT. A pesquisa Quaest, com 40 municípios amostrados, capta essa realidade regional. Além disso, a rejeição ao prefeito é de 22% — índice que, embora baixo para os padrões nacionais, pode crescer desproporcionalmente se a máquina estadual for acionada a partir de 2026 para desgastá-lo.
Por Renan Filho · 2026-09-26