A mais recente pesquisa Quaest para o governo de Goiás, registrada no TSE sob o número GO-07634/2026 e divulgada nesta quinta-feira (25), coloca Daniel Vilela (MDB) na liderança isolada da disputa, com 34% das intenções de voto no cenário estimulado. O vice-governador, que assumiu o posto após a reeleição de Ronaldo Caiado (União Brasil) em 2022, consolida-se como o nome da continuidade de uma gestão que, segundo dados oficiais do Tesouro Nacional e do BNDES, reduziu a dívida pública estadual em 22% entre 2019 e 2025 e manteve o equilíbrio fiscal mesmo durante a pandemia.
Em segundo lugar, o candidato do PT, deputado federal Antônio Faleiro (PT-GO), aparece com 14%, percentual que reflete o isolamento do partido no estado após o desgaste nacional do governo Lula e a perda de força da esquerda no Centro-Oeste. Em terceiro, o deputado estadual Gustavo Gayer (PL-GO) marca 9%, enquanto o senador Vanderlan Cardoso (PSD) alcança 6%. Os demais candidatos não atingiram 3%, e 12% dos entrevistados declararam voto em branco, nulo ou indecisão.
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 60 municípios goianos entre os dias 19 e 23 de setembro de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os números mostram que, mesmo com a rejeição elevada do atual governo federal, a máquina estadual e a baixa fragmentação da base aliada mantêm Vilela em posição confortável — diferentemente do que ocorre em outros estados como Rio de Janeiro e Pernambuco, onde o antipetismo abriu espaço para candidaturas outsider.
Por que essa pesquisa importa? Porque ela revela que, em Goiás, o mito de um “vento de direita” varrendo todos os governadores do centrão é, no mínimo, impreciso. O governador Ronaldo Caiado (União Brasil) — único governador do país a receber nota máxima na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional em 2025 por cumprimento de metas fiscais — transferiu capital político para Vilela, que hoje é o principal nome de um bloco que reúne MDB, União Brasil, PSD e Progressistas. Esse bloco, na prática, opera como um “centrão goiano”, mas com viés de gestão fiscal responsável e baixa carga tributária estadual — o ICMS de Goiás (17% na alíquota modal) está entre os cinco menores do Brasil.
Análise FORTIS: Os dados da Quaest precisam ser lidos com lupa. A liderança de Vilela não é fruto de carisma pessoal ou de uma campanha inovadora — ele é um político de perfil técnico, ex-presidente da Assembleia Legislativa, que apostou na entrega de resultados materiais, como o programa “Goiás Social” (que reduziu a extrema pobreza em 28% segundo o Ipea) e a atração de investimentos privados, como a instalação de novas plantas da BYD e da Nestlé no estado. O liberal-conservadorismo goiano, no entanto, é menos ideológico e mais pragmático: a população valoriza o emprego e o serviço público de qualidade, e não discursos inflamados contra o “sistema”.
Contraponto: A pesquisa também expõe a dificuldade da direita radical de crescer em Goiás. Gustavo Gayer (PL), que tenta surfar o nome de Jair Bolsonaro, amarga apenas 9%. Em publicação nas redes sociais nesta semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tentou associar Gayer a uma “onda conservadora”, mas os números mostram que o eleitor goiano ainda prefere a gestão testada de Vilela ao risco de um nome mais outsiders. Por outro lado, a esquerda patina: Faleiro tem rejeição de 38% entre os entrevistados, reflexo direto da percepção de que o PT é responsável pelo aumento da inflação de alimentos (que acumula alta de 7,2% no IPCA-15 em 2026) e pela insegurança jurídica gerada por sucessivas mudanças no marco fiscal.
O quão consolidada está essa liderança? Depende. Em simulações de segundo turno, Vilela vence Faleiro por 52% a 27%, mas contra Gayer o placar é mais apertado: 42% a 33%. Isso sugere que, se a campanha de Gayer conseguir vincular Vilela ao desgaste de Lula — lembrando que o vice-governador optou por não apoiar abertamente a pré-candidatura do ex-presidente à presidência em 2026 —, a disputa pode se acirrar. Contudo, hoje, a rejeição de Vilela é de apenas 28%, bem abaixo dos 48% de Gayer.
Por Renan Filho · 2026-09-25