A mais recente pesquisa Quaest, divulgada em 23 de setembro de 2026, escancarou o que já se desenhava nas ruas: o eleitor mineiro está farto do modelo estatizante e busca um nome que represente o liberalismo conservador com mão firme. Cleitinho Azevedo, senador por Minas Gerais e expoente da nova geração liberal, alcançou 37% das intenções de voto no estado — mais que o dobro do segundo colocado, o ex-presidente Lula (PT), que registrou 18%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento ouviu 2.000 eleitores em 60 municípios mineiros entre os dias 18 e 21 de setembro.
O resultado reforça a tese de que a pauta do Estado mínimo e da liberdade econômica não é mais um nicho ideológico, mas uma plataforma eleitoral competitiva. Cleitinho, que construiu sua carreira política combatendo privilégios e defendendo a redução de impostos, conseguiu traduzir o descontentamento popular com a carga tributária esmagadora — Minas Gerais tem uma das maiores alíquotas de ICMS do país, que chega a 18% sobre a maioria dos produtos, e o governo estadual de Romeu Zema (Novo) ainda trava uma guerra fiscal com o governo federal sobre a reforma tributária.
POR QUE ISSO IMPORTA
O fenômeno Cleitinho não é um acaso. Ele representa a única alternativa viável para o eleitor que rejeita tanto o lulopetismo quanto o bolsonarismo tradicional. Enquanto Lula tenta surfar na recuperação econômica artificial gerada pelo aumento da dívida pública — que já ultrapassou 80% do PIB —, Cleitinho propõe o oposto: menos Estado, mais liberdade e equilíbrio fiscal. Em um momento em que a inflação volta a pressionar os alimentos básicos em Minas, com a cesta básica em Belo Horizonte custando R$ 789,00 (alta de 4,2% em 12 meses, segundo o DIEESE), o discurso de cortar gastos públicos ressoa com força.
A pesquisa também revela que Cleitinho lidera em todos os segmentos de renda, inclusive entre os mais pobres — o que quebra o mito de que liberalismo é para ricos. Entre eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos, ele tem 34%, contra 19% de Lula. Já entre os que ganham acima de 5 salários mínimos, o senador dispara com 41%, contra 16% do petista. O dado é um tiro no argumento de adversários de que a agenda liberal seria elitista. Na prática, o mineiro comum sabe que o governo gasta mal, tributa demais e entrega pouco — e que, na ponta do lápis, a conta chega na forma de impostos altos e serviços ruins.
ANÁLISE FORTIS
A liderança de Cleitinho em Minas é um termômetro nacional. O estado, com 16 milhões de eleitores, é o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo para definir o rumo das eleições. Se o senador mantiver o ritmo, não apenas se consolida como favorito ao Palácio do Planalto como força o centro político a se reposicionar. A direita tradicional, que ainda busca um nome competitivo após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estar inelegível até 2030, vê em Cleitinho um candidato com capital político próprio, sem o fardo das divisões internas.
O contraponto necessário vem da esquerda e do establishment político de Brasília. Críticos de Cleitinho apontam que sua atuação parlamentar, focada em pautas fiscais, é "radical" e que ele não teria articulação para aprovar reformas. O senador, no entanto, responde com números: em seu mandato, apresentou 47 projetos de lei, dos quais 12 foram aprovados, todos com impacto na desburocratização ou na redução de impostos — um índice de aprovação de 25%, acima da média do Senado, que é de 18%. Além disso, sua base no Republicanos, partido com forte presença evangélica em Minas, garante musculatura eleitoral.
Para além da disputa eleitoral, o dado da Quaest expõe a fragilidade da esquerda em conectar com o eleitorado mineiro que quer mudança de verdade. Lula, que venceu em Minas em 2022, hoje patina com a alta rejeição de 45%, enquanto Cleitinho tem rejeição de apenas 29%. A diferença se explica pelo fato de o senador não ter participado de escândalos de corrupção — enquanto Lula foi condenado e preso no âmbito da Lava Jato, mesmo tendo as condenações anuladas por questões processuais e não de mérito.
Por Renan Filho · 2026-09-23