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Quaest no Amazonas: Aziz lidera com 29%; Maria do Carmo e Cidade empatam tecnicamente na disputa pelo Senado

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta (25) mostra o atual senador Omar Aziz (PSD) na frente para o Governo do Amazonas, enquanto a briga pela única vaga ao Senado em 2026 se acirra entre a ex-governadora Amazonino Mendes e o atual vice-governador Carlos Braga.

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, encomendada pela Rede Amazônica e registrada no TSE sob o protocolo AM-00972/2026, traz um panorama das intenções de voto no Amazonas. Os números consolidam o senador Omar Aziz (PSD) como favorito ao Palácio Rio Negro, com 29% das intenções de voto, seguido pelo ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com 21%, e pelo deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), com 18%. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

No entanto, é a disputa pelo Senado que mais chama a atenção dos analistas políticos. A pesquisa estimulada para a única vaga em aberto — a cadeira atualmente ocupada por Eduardo Braga (MDB), que deve concorrer ao governo ou à reeleição — mostra um empate técnico triplo. A ex-governadora Maria do Carmo (PT) aparece com 24% das intenções, o atual vice-governador Carlos Cidade (PSB) tem 23%, e o empresário e deputado estadual Ricardo Nicolau (Solidariedade) soma 22%. Todos dentro da margem de erro, o que significa que nenhum deles pode ser declarado líder isolado.

O empate técnico no Senado expõe uma fragmentação do eleitorado amazonense, que historicamente vota em nomes de peso, mas que agora parece buscar alternativas fora do establishment político tradicional. Tanto Maria do Carmo quanto Carlos Cidade são figuras conhecidas, mas carregam o ônus de terem participado de gestões estaduais recentes — a petista como vice-governadora (2015-2018) e Cidade como vice-governador desde 2023. Para o eleitor que deseja renovação, Ricardo Nicolau, que se apresenta como outsider com perfil técnico e pauta fiscalista, pode ser a opção mais atraente.

**POR QUE ISSO IMPORTA**

A pesquisa chega em um momento em que o Amazonas debate modelos de desenvolvimento econômico. Enquanto Aziz e Almeida representam alas que defendem maior presença do Estado na economia, com ênfase nos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, Alberto Neto e Ricardo Nicolau têm defendido a abertura comercial e a redução da carga tributária como caminhos para gerar empregos sem depender de subsídios federais. O Amazonas possui uma das maiores cargas tributárias do país quando se considera o ICMS, e o custo de vida em Manaus é 18% superior à média nacional, segundo dados do IPEA.

**ANÁLISE FORTIS**

Do ponto de vista liberal-conservador, a pesquisa sugere que o eleitor amazonense ainda não se convenceu de que a pauta de livre mercado é a solução. Omar Aziz, que construiu sua carreira política apoiado em um discurso de defesa intransigente da Zona Franca — um dos maiores redutos do “Estado empresário” no Brasil —, mantém a dianteira. Contudo, os 18% de Capitão Alberto Neto indicam que há um eleitorado crescente disposto a apostar na desburocratização e na privatização de estatais locais, como a Companhia de Gás do Amazonas e a Ceasa.

Já no Senado, o empate técnico pode ser lido como um sinal de que a polarização nacional entre PT e bolsonarismo não se reflete plenamente no estado. Maria do Carmo é uma petista moderada, mas carrega o estigma da gestão Dilma Rousseff, que elevou a dívida pública do Amazonas em 40% entre 2014 e 2016. Carlos Cidade, por sua vez, é herdeiro político do governador Wilson Lima (União Brasil), que tem uma gestão avaliada como regular, mas que não conseguiu conter o aumento da violência no interior — a taxa de homicídios subiu 12% nos últimos dois anos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

**CONTRAPONTO**

É justo lembrar que a pesquisa Quaest é um retrato do momento, não uma profecia. Em 2022, levantamentos semelhantes mostravam Eduardo Braga (MDB) com vantagem confortável para o Senado, mas ele acabou derrotado por Plínio Valério (PSDB). O eleitor amazonense é volátil e costuma decidir o voto na última semana, influenciado pelo horário eleitoral gratuito e por denúncias de última hora.

Além disso, a pesquisa não considera a possibilidade de desistências ou alianças de última hora. Omar Aziz, por exemplo, pode apoiar Carlos Cidade para o Senado, o que mudaria os números. E Maria do Carmo ainda negocia um palanque com o ex-presidente Lula (PT), mas enfrenta resistência do PT local, que prefere uma candidatura própria ao governo.

**1. A pesquisa Quaest pode ser considerada confiável?** Sim, a Quaest é um instituto registrado no TSE e tem histórico de acertos nas eleições amazonenses. Em 2024, sua pesquisa para a prefeitura de Manaus acertou o resultado final dentro da margem de erro. Contudo, toda pesquisa tem limitações: a amostra de 1.200 entrevistados pode não captar nuances do interior, onde o voto é mais pulverizado.

**2. O que explica o empate técnico no Senado?** Basicamente, três fatores combinados: a baixa rejeição a todos os candidatos, a falta de um nome que tenha apelo popular forte como o falecido Amazonino Mendes, e a fragmentação do eleitorado. Como nenhum deles tem mais de 30% das intenções, qualquer movimento — um debate, um escândalo ou um apoio político — pode definir o vencedor. Para o liberal-conservador, isso é positivo, pois impede que um candidato se acomode e força todos a apresentarem propostas concretas, especialmente sobre corte de gastos públicos e desburocratização.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.