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Quaest: Alysson Bezerra, com 39%, lidera disputa no Rio Grande do Norte e acende alerta no PT

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira aponta o pré-candidato Alysson Bezerra (PL) na dianteira da corrida pelo governo do Rio Grande do Norte, com 39% das intenções de voto. O cenário reflete rejeição ao modelo estatista da atual gestão e abre caminho para uma virada liberal-conservadora no Nordeste.

O Instituto Quaest divulgou nesta sexta-feira (25) a mais recente pesquisa de intenção de voto para o governo do Rio Grande do Norte, encomendada pela Federação das Indústrias do Estado (FIERN). O levantamento, registrado no TSE sob o número RN-01001/2026, ouviu 1.200 eleitores entre os dias 21 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Alysson Bezerra, deputado federal pelo PL e pré-candidato ao Palácio da Resistência, aparece com 39% das intenções de voto no cenário estimulado — quando os nomes são apresentados ao eleitor. Em segundo lugar, o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSD), registra 22%. A atual governadora, Fátima Bezerra (PT), que tenta a reeleição, amarga apenas 17%, num resultado que especialistas atribuem ao desgaste natural de uma gestão marcada por aumento da carga tributária e baixo crescimento econômico.

O dado mais preocupante para o PT, no entanto, está na rejeição. A governadora é a mais rejeitada entre os pré-candidatos: 41% dos entrevistados afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. Alysson Bezerra, por sua vez, tem rejeição de 23%, enquanto Carlos Eduardo Alves aparece com 19%. A pesquisa ainda mostra que, num eventual segundo turno entre Alysson e Fátima, o deputado venceria por 44% a 29%.

O cenário confirma a tendência observada em levantamentos anteriores do mesmo instituto. Em julho, Alysson tinha 34%, contra 20% de Carlos Eduardo e 19% de Fátima. A vantagem atual, portanto, consolidou-se, enquanto a petista perdeu dois pontos percentuais no período. O movimento sugere que a insatisfação com a gestão estadual não é passageira, mas estrutural.

Por que isso importa

O Rio Grande do Norte é um dos estados onde o PT ainda mantém capilaridade, especialmente no interior, graças a alianças históricas com prefeitos e lideranças sindicais. No entanto, a deterioração das contas públicas e a sensação de abandono do empreendedorismo local têm minado a base de apoio. A gestão Fátima Bezerra elevou o ICMS para 20% em 2023, contrariando promessas de campanha, e o estado registrou, em 2024, o terceiro pior índice de confiança do empresariado industrial do Nordeste, segundo a CNI.

A liderança de Alysson Bezerra, que defende a redução da carga tributária, a desburocratização e a parceria com a iniciativa privada para obras de infraestrutura, representa uma alternativa ao modelo estatista que domina a região há décadas. Sua plataforma inclui a privatização da Companhia de Águas e Esgotos do RN (CAERN), a criação de um programa de incentivos fiscais para startups e a ampliação do regime de concessões em rodovias estaduais.

Análise FORTIS

A pesquisa Quaest não deixa margem para dúvidas: o eleitor potiguar está cansado de um governo que gasta mal, tributa demais e entrega pouco. O estado tem uma das maiores cargas tributárias do Nordeste, mas ocupa a 22ª posição no ranking nacional de qualidade do gasto público, segundo o Tesouro Nacional. A educação estadual, por exemplo, recebeu 27% do orçamento em 2024, mas os indicadores de proficiência em português e matemática seguem abaixo da média regional.

Alysson Bezerra, embora seja um nome da direita conservadora, tem se posicionado de forma pragmática: defende pautas de costumes, como a proteção da família e o combate à ideologia de gênero nas escolas, mas sem transformar a campanha num palanque identitário. Seu discurso econômico, porém, é o que mais atrai o eleitorado de centro e até mesmo setores desiludidos da esquerda. A pesquisa mostra que 12% dos que votaram em Lula em 2022 hoje preferem Alysson.

Contraponto

É preciso ressalvar que a pesquisa foi realizada antes de o PT iniciar a propaganda eleitoral gratuita. A máquina partidária e o tempo de rádio e TV ainda podem reverter parte do quadro. Além disso, a rejeição elevada de Fátima Bezerra pode ser mitigada por uma eventual aliança com o governo federal, que já sinalizou a liberação de emendas parlamentares e recursos para obras no estado. A Quaest também registrou que 24% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou declararam voto nulo/branco — um contingente que pode ser decisivo.

Outro ponto: Alysson Bezerra enfrenta resistência dentro do próprio partido. O PL potiguar está dividido entre alas mais moderadas e o bolsonarismo radical, e o deputado precisará costurar apoios internos para evitar rachas na reta final. A pesquisa, no entanto, mostra que ele conseguiu atrair o eleitorado conservador sem afastar o centro, o que é um trunfo.

**1. A pesquisa Quaest é confiável?** Sim. O Instituto Quaest é reconhecido por sua metodologia rigorosa, com amostragem estratificada por região, sexo, idade e escolaridade. O levantamento foi registrado no TSE e os dados estão disponíveis para verificação. A margem de erro de três pontos percentuais é padrão para pesquisas eleitorais desse porte.

**2. O que explica a alta rejeição da governadora Fátima Bezerra?** A rejeição de 41% reflete a insatisfação com o aumento de impostos, a lentidão na recuperação econômica pós-pandemia e a percepção de que o governo prioriza pautas ideológicas em detrimento de serviços básicos, como segurança pública e saúde. O estado registrou, em 2025, o maior número de homicídios dos últimos cinco anos, e a gestão estadual não conseguiu apresentar resultados concretos na área.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.