A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (25) consolida a liderança de Mailza Assis na corrida ao Palácio Rio Branco. Com 36% das intenções de voto estimulada, a candidata do PP aparece à frente do petista Marcus Alexandre (28%), do bolsonarista Coronel Ulysses (PL, 20%) e da professora Maria Antônia (PSOL, 6%). Brancos e nulos somam 7%, e indecisos, apenas 3%. O levantamento ouviu 1.200 eleitores em 15 municípios acreanos entre os dias 20 e 23 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O dado mais significativo do estudo não é apenas a vantagem numérica de Mailza, mas o contexto político que o explica. O Acre, historicamente, foi governado pelo PT ou por aliados do partido por 24 dos últimos 28 anos. O resultado dessa hegemonia foi um estado cronicamente dependente de transferências federais, com a maior proporção de servidores públicos por habitante do país (segundo o Ipea) e o menor índice de empreendedorismo da região Norte, conforme o Sebrae. O esgotamento desse modelo aparece na rejeição expressiva ao candidato petista: Marcus Alexandre, ex-prefeito de Rio Branco, tem 44% de rejeição espontânea, o maior entre todos os postulantes.
Por que isso importa: A liderança de Mailza representa, na prática, a chance de o Acre romper com um ciclo de estatismo que travou o desenvolvimento. Em vez de prometer mais programas assistenciais ou obras faraônicas com dinheiro público, a campanha da vice-governadora tem pautado a desburocratização, a simplificação tributária e a abertura do estado para investimentos privados em infraestrutura e logística. Em redes sociais, Mailza tem defendido a criação de um programa de concessões para rodovias estaduais e a revitalização da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Rio Branco, que permaneceu praticamente paralisada nos governos petistas.
Análise FORTIS: A pesquisa confirma o que o FORTIS NEWS já apontava em análises anteriores: o eleitor acreano está cansado de promessas vazias e da má gestão dos recursos públicos. A rejeição ao PT não é ideológica — é prática. O estado gasta 73% de sua receita corrente líquida com folha de pagamento, segundo o Tesouro Nacional, restando pouco para investimentos. Enquanto isso, a arrecadação própria do Acre é a menor da região Norte em termos per capita, o que obriga o governo a viver de repasses da União. Qualquer candidato que queira governar de forma responsável precisará, antes de tudo, cortar despesas, rever supersalários no funcionalismo e abrir espaço para a iniciativa privada. Mailza parece ter entendido isso, mas precisa apresentar um plano concreto de enxugamento da máquina — até agora, seu discurso é mais de intenção do que de números.
Contraponto: A liderança de Mailza, embora sólida, não é imune a riscos. A petista Marcus Alexandre ainda tem o apoio do governador Gladson Cameli (PP), que rompeu com Mailza nos últimos meses. Isso pode gerar uma guerra interna no PP local, com Cameli apoiando abertamente o PT em troca de alianças futuras. Além disso, a campanha de Mailza tem evitado discutir temas impopulares, como a necessidade de privatizar a Companhia de Água e Esgoto do Acre (Saneacre), que amarga prejuízos anuais. O eleitor precisa ouvir propostas claras sobre como o estado vai se financiar sem depender de novos impostos — afinal, o Acre já tem a maior carga tributária estadual da região Norte, com ICMS sobre alimentos básicos que penaliza os mais pobres. Sem um plano de redução de tributos e aumento da competitividade, a vitória pode não significar mudança real.
Por Renan Filho · 2026-09-25