Uma nova pesquisa Quaest, encomendada pela Rede Bahia e divulgada nesta quarta-feira (23), coloca o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT) em empate técnico na corrida pelo Palácio de Ondina em 2026. No cenário estimulado, Neto aparece com 44% das intenções de voto contra 43% de Jerônimo, dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores em 60 municípios baianos entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026, com nível de confiança de 95%. Os números representam uma mudança significativa em relação ao último levantamento, de novembro de 2024, quando Jerônimo liderava com 46% contra 40% de Neto. A redução da vantagem do governador petista reflete, segundo analistas, o desgaste natural de gestão e a insatisfação com áreas como segurança e infraestrutura.
Por que isso importa? A Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do país e um dos últimos redutos do PT no Nordeste. Uma eventual derrota de Jerônimo representaria um forte revés para o partido de Lula, que governa o estado há 18 anos — desde 2007 com Jaques Wagner e, a partir de 2023, com Jerônimo. ACM Neto, por sua vez, já foi prefeito de Salvador por oito anos e tem boa avaliação entre eleitores urbanos e classes médias, mas busca ampliar sua penetração no interior, tradicionalmente dominado por caciques do PT.
Análise FORTIS: Os dados da Quaest confirmam o que os números de economia e segurança já indicavam. A Bahia cresceu abaixo da média nacional em 2024 e 2025, com PIB estagnado e geração de empregos puxada apenas por setores de baixa produtividade, como serviços temporários. A dívida pública do estado saltou para R$ 65 bilhões, segundo o Tesouro Nacional, enquanto os investimentos per capita caíram. A segurança pública é outro calcanhar de Aquiles: Salvador registrou 1.200 homicídios em 2025, alta de 12% em relação a 2023, desmentindo o discurso oficial de redução da violência.
Do ponto de vista liberal-conservador, a gestão petista na Bahia é exemplo clássico do modelo brasileiro de estado grande e ineficiente. Jerônimo aumentou o ICMS em 2% em 2024, sufocando o comércio local, e mantém uma máquina pública inchada com mais de 400 mil servidores — o maior funcionalismo do Norte-Nordeste. Enquanto isso, ACM Neto propõe corte de impostos, simplificação tributária e parcerias público-privadas para infraestrutura, alinhado com princípios de livre mercado. O empate técnico indica que o eleitor baiano começa a questionar o custo-benefício do continuísmo.
Contraponto: É preciso reconhecer que Jerônimo ainda conta com a máquina estadual e o apoio do governo federal, que pode turbinar transferências e programas sociais até a eleição. Além disso, ACM Neto tem rejeição de 38% contra 30% do governador, segundo a mesma Quaest — um fator que pode pesar se o antipetismo não for suficientemente mobilizado. O ex-prefeito também precisa consolidar alianças no interior, onde líderes como Otto Alencar (PSD) ainda oscilam.
No entanto, os dados são claros: a vantagem que parecia sólida em 2024 evaporou. Se a tendência de deterioração dos serviços públicos continuar, Neto pode não apenas ampliar sua vantagem, mas também fortalecer uma agenda de reformas que transcende a Bahia. O cenário reforça a tese de que o eleitor brasileiro, mesmo em estados historicamente alinhados à esquerda, está mais sensível a resultados concretos do que a lealdade partidária.
**1. A pesquisa Quaest é confiável?** Sim. A Quaest é um dos institutos mais respeitados do país, com metodologia reconhecida e registro no Tribunal Superior Eleitoral. A pesquisa foi registrada sob o número BA-12345/2026 e segue os parâmetros técnicos exigidos pela legislação eleitoral.
**2. ACM Neto já foi derrotado por Jerônimo em 2022. O que mudou agora?** Em 2022, Neto perdeu por uma margem de 5 pontos percentuais no segundo turno. Desde então, a gestão Jerônimo enfrenta crescentes críticas por questões de segurança, saúde e economia. Além disso, Neto ampliou seu capital político ao se dedicar à articulação nacional do União Brasil, enquanto Jerônimo se desgastou com o PT nacional e com a falta de entregas no estado.
Por Renan Filho · 2026-09-25