O instituto Quaest, contratado pela TV Globo, divulgou na manhã desta sexta (25 de setembro de 2026) o primeiro levantamento de intenção de voto para o governo de Alagoas nas eleições de outubro. O cenário, coletado entre os dias 22 e 24 de setembro, aponta o prefeito da capital, JHC (PL), com 43% das intenções, contra 41% do senador Renan Filho (MDB). O ex-governador Paulo Dantas (sem partido definido após fusão do MDB local com o União Brasil) aparece com 12%, e o candidato do PSOL, advogado Rodrigo Almeida, com 4%.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores em 42 municípios alagoanos, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Isso significa que, na prática, JHC e Renan Filho estão tecnicamente empatados — diferença de apenas dois pontos dentro da margem. No entanto, o dado político real é mais contundente: pela primeira vez em décadas, um nome de fora do tradicional “clã político” dos Calheiros — que domina o estado desde a redemocratização — lidera uma pesquisa para o governo.
O levantamento também captou a avaliação do governo federal. O presidente em exercício (o PL ainda não lançou oficialmente um nome, mas a pesquisa testou um cenário genérico “candidato do PL” contra “candidato do PT”) mostra que 52% dos alagoanos desaprovam a gestão do Palácio do Planalto. Esse sentimento anti-establishment, fortemente vinculado à alta carga tributária e à inflação persistente de alimentos — que em Alagoas bateu 8,3% no acumulado do ano, segundo o IPCA —, parece estar beneficiando JHC.
Por que isso importa? Alagoas é o estado com a maior concentração de renda do Brasil e uma das piores burocracias estaduais para abertura de empresas. O Índice de Liberdade Econômica dos Estados (ILEE) de 2025, do Centro de Liderança Pública (CLP), colocou Alagoas em 24º lugar no ranking de facilidade para fazer negócios. Renan Filho foi governador entre 2015 e 2022, período em que a máquina pública estadual cresceu 22% em cargos comissionados — dados do TCE-AL — sem contrapartida em serviços essenciais, como segurança pública. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes ainda é a segunda maior do Nordeste, atrás apenas da Bahia.
Análise FORTIS: A disputa em Alagoas expõe o esgotamento do modelo de desenvolvimento baseado em compra de votos com dinheiro público e obras superfaturadas. JHC, apesar de ser prefeito de uma capital que ainda sofre com a herança de má gestão federal (a Braskem e o afundamento do solo em Maceió foram problemas federais mal resolvidos), conseguiu se posicionar como o candidato da “renovação liberal-conservadora”. Ele defende a redução do ICMS sobre combustíveis e energia, o fim das alíquotas progressivas de IPVA e um choque de desburocratização para atrair investimentos. Do outro lado, Renan Filho representa o velho pacto fisiológico: união do MDB com partidos do Centrão, distribuição de cargos e promessas de mais gasto público sem reforma.
Contraponto: A vantagem de JHC é frágil. A margem de erro pode reverter o placar, e a máquina partidária de Renan Filho ainda é a mais robusta do estado — ele controla o diretório do MDB em 80% dos municípios, além de ter apoio do governador em exercício (o atual governador, aliado de Renan, ainda não anunciou renúncia para disputar o Senado). Além disso, a rejeição de JHC entre eleitores de baixa renda é maior: 36% dos entrevistados com renda de até dois salários mínimos afirmam que “não votariam de jeito nenhum” nele, contra 24% do senador. O principal ataque da campanha adversária já começou: associar JHC ao presidente da República (que perdeu para Lula no estado em 2022 por 14 pontos), tentando contaminar o discurso liberal com o fantasma do “radicalismo ideológico”.
A pesquisa também testou o cenário de segundo turno. Em simulação, JHC venceria Renan Filho por 48% a 44% — novamente empate técnico. Esse placar revela que a eleição será decidida nos detalhes: o voto útil que pode migrar para quem estiver na liderança no último momento, e o nível de abstenção — que na última eleição para governo em Alagoas foi de 23%, um dos maiores do país. Abstenção alta geralmente prejudica candidatos de renovação, que dependem mais de engajamento voluntário do que da máquina.
Por Renan Filho · 2026-09-25