O deputado estadual Felipe Silva (PSB-MA), pupilo declarado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e candidato ao governo do Maranhão nas eleições de 2026, afirmou que o Brasil “merece ter Dino como presidente” após sua “missão no STF”. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Mirante na manhã desta quinta-feira, 19 de setembro.
Segundo o parlamentar, o ex-governador maranhense “demonstrou capacidade de diálogo e firmeza” durante os primeiros meses como ministro da Corte. “Ele está fazendo um grande trabalho no STF, mostrando que tem estatura para governar o Brasil”, disse Silva, em trecho reproduzido pelo blog do jornalista Jota Nunes.
A fala ocorre em meio à especulação sobre uma possível candidatura de Dino ao Planalto em 2026. O ministro, que tomou posse em fevereiro de 2024, já foi governador do Maranhão por dois mandatos e senador eleito em 2022, cargo que deixou para assumir a vaga no STF indicado pelo presidente Lula.
Por que isso importa? A defesa pública de um pupilo reacende o debate sobre o ativismo judicial e o uso do STF como trampolim político. Para analistas liberais, a ideia de que uma passagem curta e controversa pelo Supremo qualifique alguém para a Presidência é sintoma da deterioração institucional que o país enfrenta.
A declaração também escancara o cálculo eleitoral da esquerda: manter o controle do Judiciário enquanto pavimenta o retorno de seus quadros ao Executivo. Dino, ex-integrante do governo Lula e próximo do PT, representa a ala que vê no STF não um órgão de contenção, mas uma ferramenta de poder.
Em análise FORTIS, a tese de que “merecemos Dino” soa como um elogio ao sindicalismo judicial. Durante sua curta passagem pelo STF, Dino votou em pautas caras ao mercado, como a descriminalização do porte de maconha e a ampliação de licenças-paternidade, posições que geraram críticas de setores produtivos. Sua atuação no caso das “saúde suplementar” criou insegurança jurídica para operadoras de planos de saúde.
Do ponto de vista liberal, um presidente vindo do STF representaria o casamento entre o Poder Moderador e o Executivo – o pior cenário para a economia de livre mercado. A Corte, sob Dino, tem mostrado disposição para intervir em políticas públicas, o que contrasta com a necessária separação de poderes.
Contraponto: apoiadores de Dino argumentam que sua experiência como governador e senador, somada à expertise jurídica, o torna um líder preparado. O próprio pupilo afirmou que “Dino sabe ouvir o Congresso e a sociedade”. No entanto, críticos lembram que sua gestão no Maranhão foi marcada por baixo crescimento e dependência de transferências federais.
A declaração de Silva também não é unânime nem dentro do próprio PSB. Aliados do governador Carlos Brandão, que busca reeleição, evitam comentar a hipótese Dino 2026. Nos bastidores, avalia-se que uma candidatura presidencial do ministro dividiria a base regional e prejudicaria as pretensões do partido no Nordeste.
O episódio reforça a percepção de que o STF se tornou palco de articulações políticas. Enquanto Dino não se manifesta oficialmente, seu pupilo já trabalha para transformar a “missão no STF” em capital eleitoral. Para os liberais, é um alerta: o Brasil precisa de menos juízes-presidentes e mais líderes comprometidos com a liberdade econômica e reformas estruturais.
FATO RELEVANTE: Em julho, pesquisa Quaest mostrou que 53% dos brasileiros acreditam que ministros do STF fazem política partidária. O dado contextualiza o desgaste da imagem da Corte e a aposta de Dino em surfar na popularidade de Lula no Nordeste.
Por Renan Filho · 2026-09-20