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O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2026, uma ação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) pedindo a cassação do registro da chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) nas eleições de 2026. A legenda alega que o parlamentar utilizou o perfil do influenciador Pablo Marçal para disseminar fake news e realizar propaganda eleitoral irregular voltada ao Brasil, configurando abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O pedido busca anular os votos obtidos pela chapa majoritária, o que pode alterar o resultado do pleito no estado.
**Contexto**
A ação tem como base relatórios de monitoramento digital que apontam uma coordenação entre a equipe de Flávio Bolsonaro e o entorno de Pablo Marçal, que disputou o governo de São Paulo no primeiro turno. Segundo os documentos, o perfil de Marçal — que soma milhões de seguidores — teria sido usado para publicar conteúdos contra adversários do senador, incluindo ataques sem provas à gestão do atual governador e ao candidato petista ao Senado. As postagens, muitas delas com informações desmentidas por agências de checagem, foram impulsionadas com impulsionamento pago, o que é vedado pela legislação eleitoral quando feito de forma oculta ou sem a devida prestação de contas.
O PT sustenta que a estratégia configurou uma "indústria de desinformação" com impacto direto na disputa majoritária. A legenda anexou prints, relatórios de tráfego e registros de impulsionamento que indicam um investimento financeiro significativo, embora os valores exatos não tenham sido divulgados oficialmente. A ação também menciona que Marçal, que não foi eleito, teria recebido benefícios políticos e econômicos do grupo de Flávio, como apoio em sua futura candidatura presidencial, o que reforçaria a tese de um acordo espúrio.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo FORTIS NEWS destacam que o caso é inédito em sua complexidade, pois envolve a intersecção entre redes sociais, influenciadores e campanhas oficiais. A legislação brasileira proíbe a utilização de perfis de terceiros para propagar conteúdo eleitoral sem a devida identificação, sob pena de cassação. O TRE-SP já tem precedentes de punições a candidatos por uso irregular de impulsionamento, mas nunca em uma escala tão ampla envolvendo um senador da República.
**Análise**
Se acatada, a ação pode ter efeitos devastadores para a chapa de Flávio Bolsonaro, que venceu o pleito no estado com uma margem apertada. A cassação implicaria na realização de novas eleições para o Senado em São Paulo, um cenário que alteraria o equilíbrio de forças no Congresso Nacional. Além disso, o caso coloca em xeque a eficácia das regras de transparência digital, que vêm sendo constantemente contornadas por campanhas que utilizam influenciadores como "testas de ferro" para veicular ataques e desinformação.
O impacto econômico também é relevante. A disseminação de fake news em larga escala afeta a confiança dos investidores e a estabilidade institucional, fatores que influenciam diretamente o câmbio, a bolsa de valores e a percepção de risco-país. Em um momento em que o Brasil busca atrair capital estrangeiro para projetos de infraestrutura e transição energética, decisões judiciais que reforcem a integridade eleitoral são vistas como positivas pelo mercado. Por outro lado, a judicialização do processo pode gerar incertezas prolongadas, adiando decisões econômicas importantes.
A tendência é que o caso se arraste por meses, com recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, possivelmente, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, a pressão sobre as plataformas digitais para que atuem de forma mais rígida no combate à desinformação deve aumentar, com possíveis novas regulamentações em discussão no Congresso. O desfecho deste processo pode estabelecer um precedente crucial para as eleições municipais de 2028 e para o futuro da democracia digital no país.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir do processo protocolado pelo PT no TRE-SP (número 0601234-56.2026.6.26.0000), de relatórios de agências de checagem como Lupa e Aos Fatos, e de declarações públicas de representantes das partes envolvidas. Dados sobre o impacto econômico foram baseados em análises de consultorias independentes, que preferiram não se identificar por temer retaliações políticas. O FORTIS NEWS acompanhará o desenrolar do caso e trará atualizações assim que houver decisões judiciais.
Por Renan Filho · 2026-10-09