**Lead**
O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2026, pedido de cassação da chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a acusação de que o perfil do influenciador e ex-coach Pablo Marçal foi usado para disseminar fake news e propaganda irregular durante a campanha eleitoral. A ação, protocolada em Brasília, alega que a suposta articulação digital teria beneficiado o parlamentar e seu vice de forma deliberada, configurando abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
**Contexto**
A movimentação ocorre em meio a um cenário político tenso, marcado por disputas judiciais envolvendo as eleições e a atuação de influenciadores digitais nas campanhas. Pablo Marçal, que se notabilizou por uma intensa presença nas redes sociais e por ter disputado a prefeitura de São Paulo em 2024, tornou-se alvo frequente de representações eleitorais por supostas irregularidades em seus conteúdos. O PT sustenta que o perfil de Marçal, que reúne milhões de seguidores, teria sido utilizado como canal para impulsionar mensagens contrárias à legenda e favoráveis à chapa de Flávio Bolsonaro, sem que os devidos registros de impulsionamento fossem declarados.
Segundo a petição, haveria indícios de que postagens com teor difamatório e informações falsas teriam sido compartilhadas de forma coordenada, com o objetivo de interferir no processo eleitoral. Os advogados do partido afirmam que a suposta conduta violaria a legislação eleitoral, que exige transparência na contratação de serviços de impulsionamento e responsabiliza candidatos por conteúdos veiculados em seus benefícios. A ação pede, além da cassação do registro da chapa, a aplicação de multa e a declaração de inelegibilidade dos envolvidos.
A defesa de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre o teor da ação. Pablo Marçal, por sua vez, também não comentou o assunto até a publicação desta matéria. O TSE será responsável por analisar a admissibilidade do pedido, que pode tramitar em segredo de justiça nas primeiras fases. Caso seja aceita, a ação abrirá prazo para a defesa apresentar contestação e para a coleta de provas, incluindo a quebra de sigilo de mensagens e o rastreamento de impulsionamentos.
**Análise**
A iniciativa do PT representa mais um capítulo na crescente judicialização das campanhas eleitorais e na batalha em torno do papel das redes sociais na política brasileira. O caso ganha relevância porque envolve uma figura pública com foro privilegiado e um influenciador com enorme alcance digital, o que coloca em discussão os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade de candidatos por conteúdos produzidos por terceiros.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a corte vem endurecendo o entendimento sobre impulsionamento irregular e disseminação de desinformação, principalmente após as eleições de 2022 e os ataques às instituições democráticas. A eventual comprovação de um esquema coordenado envolvendo o perfil de Marçal poderia estabelecer um precedente significativo para as próximas disputas, sobretudo no que diz respeito à responsabilização de aliados e apoiadores que atuam de forma paralela às estruturas oficiais de campanha.
Por outro lado, a ação também pode ser interpretada como parte da estratégia política do PT para desgastar adversários em um momento de alta polarização. O desfecho dependerá da robustez das provas apresentadas e da capacidade de a defesa demonstrar que não houve vínculo formal entre a chapa e as supostas irregularidades. Enquanto isso, o debate público segue exposto às tensões entre a necessidade de combater a desinformação e o risco de censura ou perseguição política.
**Fontes**
As informações desta reportagem têm como base o pedido protocolado pelo PT junto ao TSE, as normas da legislação eleitoral brasileira sobre impulsionamento de conteúdo e propaganda, e registros públicos de movimentações de Pablo Marçal nas redes sociais durante o período eleitoral. A matéria aguarda manifestação oficial das defesas de Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal para eventuais atualizações.
Por Renan Filho · 2026-10-09