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Um levantamento interno realizado pelo PSDB junto a seus diretórios estaduais revelou que a maioria das unidades regionais do partido manifestou posição favorável a uma aliança ou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenários eleitorais futuros. O movimento, que ganhou força nas últimas semanas, expõe uma profunda divisão dentro da legenda tucana, tradicionalmente associada ao centro democrático e à oposição ao bolsonarismo. A informação foi obtida por veículos de imprensa que tiveram acesso a relatos de dirigentes partidários, sob condição de anonimato, e ainda não foi confirmada oficialmente pela executiva nacional do PSDB.
**Contexto**
O PSDB, que já foi um dos maiores partidos do Brasil e governou o país por dois mandatos com Fernando Henrique Cardoso, atravessa uma crise de identidade e encolhimento eleitoral. Nas eleições de 2022, a legenda elegeu apenas 13 deputados federais e perdeu governos estaduais importantes. Desde então, parte de sua militância e quadros históricos migraram para outras siglas, como o PSD e o União Brasil. A aproximação com o bolsonarismo, representado por Flávio Bolsonaro, é vista por setores do partido como uma tentativa de sobrevivência política, especialmente em estados onde o conservadorismo tem forte apelo.
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é senador pelo Rio de Janeiro e figura central nos debates sobre a sucessão bolsonarista. Embora não tenha declarado oficialmente uma candidatura para 2026, seu nome é cotado para disputar o governo fluminense ou até mesmo o Senado novamente. A sinalização de apoio de diretórios do PSDB a ele indica uma possível realinhamento no espectro político brasileiro, com partidos de centro-direita buscando abrigo no campo conservador.
O levantamento interno, que teria sido conduzido pela Secretaria de Relações Institucionais do PSDB, ouviu dirigentes de todos os 27 estados. Segundo relatos, a maioria dos diretórios do Norte, Nordeste e Centro-Oeste manifestou simpatia pela aproximação com Flávio Bolsonaro, enquanto os diretórios do Sul e Sudeste, especialmente São Paulo e Minas Gerais, resistem à ideia. A executiva nacional, comandada atualmente por dirigentes ligados ao ex-governador de São Paulo, ainda não se pronunciou oficialmente, mas nos bastidores há forte pressão de alas históricas para que o partido mantenha sua linha independente.
**Análise**
A tendência de apoio a Flávio Bolsonaro dentro do PSDB reflete um fenômeno mais amplo na política brasileira: a fragmentação do centro e a polarização crescente. Partidos que antes se posicionavam como alternativas moderadas, como o PSDB, estão sendo forçados a escolher entre o campo bolsonarista e o lulista, sob pena de irrelevância. A adesão a Flávio Bolsonaro, no entanto, carrega riscos. O senador é investigado em casos de suposta rachadinha e lavagem de dinheiro, o que pode desgastar a imagem do PSDB junto ao eleitorado de centro que ainda resta. Além disso, a aliança pode afastar os poucos quadros jovens e renovadores que o partido conseguiu manter.
Por outro lado, para os diretórios estaduais que veem no bolsonarismo a única força capaz de derrotar o PT em suas regiões, a aproximação é uma questão de sobrevivência eleitoral. Em estados como Rondônia, Mato Grosso e Tocantins, onde o bolsonarismo tem forte penetração, o PSDB praticamente desapareceu das disputas majoritárias. Apoiar Flávio Bolsonaro poderia garantir palanque e visibilidade, além de atrair prefeitos e vereadores que migraram para o PL. A decisão final caberá ao diretório nacional, que deve se reunir nas próximas semanas para discutir o tema. Caso a maioria dos diretórios estaduais prevaleça, o PSDB pode se tornar o primeiro grande partido do centro democrático a aderir formalmente ao bolsonarismo, alterando significativamente o tabuleiro político para 2026.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em relatos de dirigentes partidários do PSDB que preferiram não se identificar, em reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão, que publicaram análises sobre a crise interna do partido, e em declarações públicas de lideranças tucanas, como o ex-senador Tasso Jereissati, que já manifestou preocupação com o rumo da legenda. Não foram utilizados dados numéricos oficiais, uma vez que o levantamento interno não foi divulgado oficialmente pela executiva nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-07