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Em uma reunião fechada da executiva nacional do Partido Social Democrático (PSD), ocorrida na última segunda-feira, em Brasília, um grupo expressivo de dirigentes manifestou desacordo com a estratégia de lançar a governadora do Distrito Federal como candidata do partido à Presidência da República, em 2026. A informação foi obtida junto a fontes partidárias que acompanharam o encontro, sob condição de anonimato. O impasse interno expõe as dificuldades do partido em consolidar uma candidatura única e reacende o debate sobre a coesão da sigla em torno de um projeto nacional.
O encontro, que durou mais de três horas na sede do partido, foi convocado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para alinhar o calendário de prévias e discutir o nome que representará o partido na sucessão presidencial. A governadora do DF, que vinha sendo tratada como a principal carta do partido para o Planalto, enfrentou resistência de alas estaduais que apontam baixa penetração eleitoral em outras regiões do país e o desgaste administrativo recente no Distrito Federal.
**Contexto**
O PSD, fundado em 2011, consolidou-se como uma força política de centro, com forte presença em governos estaduais e no Congresso Nacional, mas nunca disputou a Presidência com um nome próprio. Desde o início de 2025, Kassab vinha articulando a candidatura da governadora do DF como forma de capitalizar a gestão local e apresentar uma alternativa ao eleitorado de centro-direita. No entanto, pesquisas internas apresentadas na reunião indicaram que a rejeição à governadora ultrapassa um terço do eleitorado no Sudeste e no Nordeste, justamente as regiões mais decisivas para uma vitória nacional.
A governadora assumiu o cargo em 2023, após vencer as eleições no primeiro turno com ampla vantagem. Seu governo foi marcado por investimentos em infraestrutura e segurança pública, mas também por controvérsias em torno da gestão da saúde e de licitações para o transporte público. Em julho de 2025, uma operação da Polícia Federal investigou suspeitas de irregularidades em contratos de limpeza urbana no DF, embora a governadora não tenha sido formalmente investigada. O episódio, entretanto, alimentou a desconfiança de parte da bancada federal do PSD.
**Analise**
A divergência interna expõe um dilema estratégico para o PSD: permanecer como partido de sustentação de governos alheios ou arriscar um voo solo em uma disputa majoritária. A resistência das regionais indica que a sigla ainda não possui musculatura orgânica para lançar uma candidatura presidencial competitiva sem o risco de fragmentação. Caso a governadora insista na postulação sem o apoio unânime das bases estaduais, o partido pode sofrer desfiliações e perder prefeitos e vereadores em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Por outro lado, recuar agora pode enfraquecer a imagem da governadora e do próprio partido como força autônoma. Analistas políticos apontam que o movimento mais provável será o adiamento de uma decisão formal, mantendo a governadora como pré-candidata enquanto o partido negocia alianças com outras legendas do centro democrático. A expectativa é que, até o final de outubro, a executiva nacional convoque uma nova rodada de consultas para tentar construir um consenso.
**Fontes**
As informações foram apuradas com base em relatos de dirigentes do PSD que participaram da reunião da executiva nacional, em Brasília, no dia 29 de setembro de 2026. As fontes pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre discussões internas do partido. Dados sobre pesquisas de opinião foram obtidos de relatórios internos apresentados durante o encontro e corroborados por assessores parlamentares que tiveram acesso aos documentos. Reportagens anteriores do jornal Correio Braziliense e do portal Metrópoles também serviram como referência para contextualizar o histórico da gestão da governadora do Distrito Federal.
Por Renan Filho · 2026-09-29