**Lead**
O Partido Socialista Brasileiro (PSB) movimenta o tabuleiro político nas vésperas da sucessão na Câmara dos Deputados. O presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, declarou apoio ao deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para comandar a Casa a partir de 2027. Paralelamente, o PSB negocia com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) a formação de uma federação partidária, que pode unir as duas legendas por pelo menos quatro anos. As duas frentes de atuação — aliança na Câmara e aproximação orgânica — sinalizam a estratégia do PSB de ampliar sua influência no Congresso e no espectro político nacional.
**Contexto**
A declaração de apoio a Hugo Motta foi feita por Carlos Siqueira em reunião fechada com líderes do partido, segundo informações divulgadas pela própria legenda. Motta, que atualmente exerce o mandato de deputado federal pela Paraíba, é um dos nomes cotados para suceder Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara. A escolha do PSB reforça o movimento de uma ampla frente de partidos do chamado "centrão" e legendas de centro-esquerda em torno do parlamentar, que busca construir uma candidatura de consenso.
Enquanto isso, as negociações por uma federação com o PDT avançam há meses. Os dois partidos já atuaram juntos em diversas frentes no governo Lula e compartilham bases históricas no trabalhismo e no socialismo democrático. A federação PSB-PDT, caso concretizada, criaria um bloco com cerca de 40 deputados federais, além de senadores e governadores, e se tornaria uma força relevante no Congresso. A aliança também impactaria as eleições estaduais de 2026, permitindo candidaturas conjuntas em vários estados.
As federações partidárias foram instituídas pela reforma eleitoral de 2021 e obrigam os partidos a atuarem como uma única legenda por pelo menos quatro anos, com estatuto e programa comuns. PSB e PDT já flertaram com a ideia em 2023, mas as conversas esfriaram. Agora, com a proximidade do calendário eleitoral e a necessidade de fortalecer a oposição a grupos mais conservadores, as tratativas ganharam novo ritmo.
**Análise**
O apoio do PSB a Hugo Motta na Câmara não é um movimento isolado. Reflete a busca por protagonismo em um momento em que o partido tenta se reposicionar após a saída de quadros importantes e a perda de espaço para o PT em alguns redutos. Ao declarar apoio a um nome do Republicanos — partido de centro-direita —, o PSB demonstra pragmatismo e disposição para construir pontes além das fronteiras ideológicas tradicionais. A jogada pode render ao partido cargos na Mesa Diretora e influência na pauta legislativa dos próximos dois anos.
A federação com o PDT, por sua vez, é uma aposta de médio prazo. Caso se concretize, a aliança criará o terceiro maior bloco partidário da Câmara, atrás apenas do PT e do PL. Para o PDT, que enfrenta dificuldades financeiras e perda de representação, a união com o PSB pode significar sobrevivência política e acesso a mais recursos do fundo partidário. Para o PSB, a federação trará maior densidade eleitoral, especialmente no Nordeste, onde ambas as legendas são fortes. A tendência é que, até o fim do ano, os diretórios nacionais dos dois partidos realizem convenções para referendar o acordo.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de nota oficial do PSB divulgada à imprensa, reportagens do portal G1 e do jornal O Globo, além de acompanhamento das movimentações políticas no Congresso Nacional. Não foram realizadas entrevistas exclusivas com os envolvidos.
Por Renan Filho · 2026-10-21