Cerca de 200 manifestantes já se aglomeram na manhã desta sexta-feira (26) na calçada em frente ao Projac, no Rio de Janeiro, sob o comando do advogado e candidato à Presidência Renan Santos (Partido Liberal Independente). O painel de bastidores do FORTIS NEWS apurou que Santos prepara um protesto simbólico com faixas e apitos caso a Rede Globo confirme sua exclusão do debate presidencial marcado para a próxima terça-feira (29). A emissora ainda não divulgou a lista oficial de participantes, mas fontes internas indicam que apenas os candidatos com mais de 5% nas pesquisas seriam convidados.
“Eu tenho 3,2% segundo a última pesquisa Real Data. Não sou um poste, sou o único candidato que defende reforma tributária com alíquota única de 15%, privatização da Petrobras e extinção de 30% dos ministérios. Se a Globo me calar, estará calando o eleitor que não quer mais o mesmo”, afirmou Santos em vídeo publicado em suas redes sociais na noite de quinta-feira (25). O vídeo já ultrapassou 340 mil visualizações no Instagram.
O movimento, batizado de “Debate Já – Contra a Censura Eleitoral”, é organizado por três think tanks liberais — Instituto Mises Brasil, Students for Liberty e Líderes do Amanhã — e conta com apoio de pequenos empresários e motoristas de aplicativo. A coordenação informou que o ato será pacífico, sem bloqueio de vias ou confronto com a segurança da emissora. “Vamos levar uma urna de papelão para simbolizar o voto que está sendo ignorado”, explicou a organizadora local, Carla Mendonça, em contato com o FORTIS NEWS.
A Globo, procurada pela reportagem, limitou-se a informar que “os critérios de participação serão divulgados na segunda-feira (28)”. A assessoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que não interfere na curadoria de debates privados, mas lembrou que a legislação eleitoral garante tratamento isonômico entre candidatos quando há recursos públicos envolvidos — o que não é o caso do debate da Globo, financiado exclusivamente por publicidade privada.
O caso expõe um dilema que aflige o campo liberal-conservador brasileiro: como competir em um jogo midiático desenhado para grandes coligações e máquinas partidárias tradicionais. Para Santos, o debate não é apenas uma vitrine, mas a única chance de furar a bolha. “Sem debate nacional, meu nome sequer aparece no Google Trends. É uma seleção artificial que favorece os mesmos de sempre”, escreveu o candidato em um artigo publicado ontem no portal “O Antagonista”.
A exclusão de Santos do debate teria, segundo analistas consultados pelo FORTIS NEWS, impacto direto na arrecadação de campanha. O candidato declarou ao TSE apenas R$ 1,2 milhão em doações até setembro, a maioria de pessoas físicas via Pix. Sem exposição nacional, a tendência é que a captação desabe. “A Globo não é obrigada a convidar todos, mas ao excluir justamente o candidato que representa a ruptura com o Estado grande, ela está fazendo uma escolha editorial. E o eleitor precisa saber disso”, comentou o cientista político e professor da FGV, Marco Aurélio Nogueira, em entrevista à Rádio CBN.
Por outro lado, defensores da linha editorial da emissora argumentam que debates com muitos candidatos tornam-se confusos e perdem profundidade. “Cinco ou sete candidatos já é um caos. Imagine 13? Não há tempo para confrontar propostas”, disse o jornalista Reinaldo Azevedo em seu canal no YouTube. Contudo, para o liberal-conservadorismo, a pluralidade é um valor em si. “O mercado de ideias funciona melhor quando todas as vozes podem ser ouvidas. O debate não é show, é serviço público. Se a Globo quer ser relevante, precisa ser inclusiva”, rebateu o economista e ex-secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros.
A pressão sobre a emissora aumenta com a adesão de influenciadores digitais. O canal “Brasil Paralelo” publicou um vídeo de 12 minutos sobre o caso, com 2,1 milhões de visualizações em 24 horas. O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) também gravou um vídeo de apoio: “Se a Globo não abrir as portas, nós vamos abrir as janelas. A internet já é maior que a televisão”. Santos já confirmou presença em pelo menos 17 lives de youtubers e podcasters entre esta sexta e terça-feira.
O protesto está marcado para as 10h, horário previsto para o início da reunião de pauta da Globo. A polícia militar foi acionada para garantir a ordem, mas a organização garante que não haverá tumulto. “Somos a favor do livre mercado, não da baderna”, ironizou Carla Mendonça.
O FORTIS NEWS acompanhará o desenrolar do ato e trará novas informações ao longo do dia. A cobertura inclui transmissão ao vivo pelo site e redes sociais a partir das 9h30.
**Por que Renan Santos está protestando na Globo?** Ele alega que a emissora o excluiu do debate presidencial com base em critérios opacos, que privilegiam candidatos de partidos grandes. Santos defende que sua candidatura representa mais de 3 milhões de brasileiros e merece espaço.
**Qual a posição oficial da Globo?** A emissora não confirmou nem negou a exclusão. Informou apenas que divulgará os critérios na segunda-feira, 28 de setembro.
**O TSE pode intervir?** Não diretamente. Debates privados, sem uso de verbas públicas, são regulados apenas por contrato entre as emissoras e os partidos. O TSE pode apenas recomendar isonomia.
**Quantos candidatos devem participar?** Segundo fontes internas, devem ser convidados apenas candidatos com 5% ou mais nas pesquisas — o que excluiria Santos e pelo menos outros seis postulantes.
**O protesto pode ser violento?** A organização garante que será pacífico. Haverá faixas, apitos e uma urna de papelão, mas sem bloqueios ou invasões.
**Qual o impacto na campanha de Santos?** Se for excluído, ele perderá a maior vitrine eleitoral antes do primeiro turno, dificultando o crescimento de intenções de voto e a arrecadação de doações.
**Esse tipo de protesto é comum?** Não, mas tem se tornado mais frequente desde 2018, quando candidatos de partidos pequenos passaram a usar a internet como plataforma de pressão contra a mídia tradicional.
**O que o FORTIS NEWS pensa sobre isso?** Acreditamos que o livre mercado de ideias exige pluralidade de vozes. A exclusão de candidatos sem justificativa clara fere o princípio da concorrência leal, que deve valer tanto para a economia quanto para a política.
Por Renan Filho · 2026-09-26