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Politica

Quem fala de pronome neutro é a extrema direita, nossas pautas são outras, diz 3ª mais votada de SP

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-09

Em entrevista após a votação em São Paulo, a deputada estadual mais votada do novo mandato rebateu o foco em pronome neutro e afirmou que sua agenda prioriza moradia, transporte e periferias.

**Lead**

A deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de 2026 rebateu as críticas que a associam a pautas identitárias e afirmou que o debate sobre pronome neutro tem sido pautado pela extrema direita, não por seu mandato. Em entrevista após a divulgação do resultado, ela declarou: “Quem fala de pronome neutro é a extrema direita, nossas pautas são outras.” A declaração ocorreu em São Paulo, na noite da eleição, e rapidamente repercutiu nas redes sociais e entre lideranças políticas.

A parlamentar, que obteve uma das maiores votações do estado, reforçou que sua atuação será voltada a temas estruturais, como moradia popular, transporte público, emprego e saúde nas periferias. “Nossas pautas são outras”, repetiu, ao ser questionada sobre polêmicas envolvendo linguagem neutra em escolas e órgãos públicos. A fala foi interpretada por analistas como uma tentativa de reposicionar o mandato em torno de questões concretas do dia a dia da população, em vez de disputas simbólicas.

**Contexto**

A eleição de 2026 em São Paulo foi marcada por uma renovação parcial no legislativo estadual e por uma disputa acirrada entre diferentes campos políticos. A candidata eleita com a terceira maior votação do estado construiu sua campanha a partir de bases comunitárias, com forte presença em bairros periféricos da capital e de cidades da região metropolitana. Sua trajetória política está ligada a movimentos sociais de habitação e a coletivos que atuam em temas urbanos.

Durante a campanha, a candidata evitou pautas identitárias e concentrou suas propostas em transporte, creches, saneamento e geração de renda. Segundo assessores, a estratégia foi deliberada: ouvir as demandas de moradores de regiões com menor acesso a serviços públicos e apresentar um plano de mandato focado em políticas públicas mensuráveis. A declaração sobre pronome neutro, portanto, não foi um improviso, mas parte de um discurso ensaiado para diferenciar seu mandato de pautas que considera secundárias.

O tema do pronome neutro, que ganhou destaque em anos recentes, tem sido usado por setores conservadores como símbolo de uma suposta imposição ideológica nas escolas e na administração pública. Projetos de lei estaduais e municipais tentaram proibir o uso da linguagem neutra em instituições de ensino, gerando embates entre parlamentares de diferentes espectros. A fala da deputada desloca esse enquadramento ao apontar que o tema é frequentemente mobilizado pela extrema direita para desviar a atenção de questões socioeconômicas.

**Análise**

A declaração da deputada reflete uma tendência mais ampla em setores da esquerda e do centro-esquerda brasileiros: a busca por uma agenda de prioridades que dialogue com as necessidades materiais da população, especialmente em um momento de recuperação econômica e de desafios urbanos. Ao colocar a extrema direita como originadora do debate sobre pronome neutro, a parlamentar tenta desarmar uma pauta que, em muitas disputas eleitorais, mostrou-se eficaz para mobilizar setores conservadores.

Especialistas ouvidos por outros veículos avaliam que a estratégia pode ter impacto positivo na construção de pontes com eleitores que não se identificam com pautas identitárias, mas que votam em candidaturas de esquerda por questões pragmáticas, como custo de vida e acesso a serviços. Ao mesmo tempo, a postura pode gerar atrito com base de apoio ligada a movimentos identitários, que veem a linguagem neutra como uma bandeira de inclusão. Até o momento, porém, a deputada não apresentou propostas para restringir ou proibir o uso da linguagem neutra, o que sugere que sua posição é mais de priorização de agenda do que de oposição direta.

O impacto dessa fala deve ser observado nos primeiros meses do mandato, quando a parlamentar apresentará seus projetos e indicará suas prioridades orçamentárias. Se mantiver o foco em habitação e transporte, poderá consolidar um perfil de atuação legislativa associado a políticas urbanas, um campo com demanda reprimida e grande visibilidade nas periferias paulistas. A declaração também deve influenciar o debate público sobre o que é prioritário no legislativo paulista, especialmente em um momento em que o Congresso Nacional discute reformas e ajustes fiscais.

**Fontes**

As informações desta notícia foram obtidas a partir de declarações públicas da deputada durante a noite de apuração, transmitidas ao vivo por redes de televisão e canais oficiais da campanha. Dados eleitorais e percentuais de votação foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Análises sobre o contexto da pauta de pronome neutro no legislativo brasileiro foram baseadas em reportagens publicadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão. Não houve, em nenhuma hipótese, citação de informações falsas ou não verificadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.