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Média de presença, projetos e emendas: quem trabalha e quem só aparece para votar no Congresso?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Levantamento do FORTIS NEWS com dados abertos da Câmara e do Senado revela abismo entre parlamentares que produzem e os que apenas gerenciam o orçamento secreto; reeleição será teste de coerência para o eleitor liberal.

O ano legislativo de 2025, o último antes da eleição de 2026, expõe uma radiografia implacável do trabalho parlamentar no Brasil. O FORTIS NEWS cruzou dados de frequência às sessões, número de projetos de lei apresentados e valor de emendas parlamentares individuais e de bancada de todos os 513 deputados e 81 senadores que já declararam candidatura à reeleição. O resultado é um retrato de dois Brasis: um que legisla, outro que apenas opera o balcão de emendas.

O critério de corte foi objetivo: foram considerados apenas os parlamentares que já oficializaram a intenção de concorrer em 2026, conforme registros nos sites dos tribunais regionais eleitorais e nos diretórios partidários. A amostra inclui 287 deputados e 48 senadores. O período analisado vai de 1º de fevereiro de 2025 a 1º de setembro de 2025.

Entre os deputados, a média de presença nas sessões deliberativas do plenário é de 67,3%. O deputado mais assíduo, com 98,2% de presença, é o líder do NOVO, que em entrevista à Rádio CBN classificou a falta generalizada como “um desrespeito ao eleitor que paga salário”. Já na outra ponta, o deputado com pior frequência, 23,1%, é um parlamentar do PT do Nordeste — justamente um dos maiores requerentes de verba de emendas impositivas.

No Senado, a média de presença é maior: 78,5%. O senador mais frequente, com 100% de presença nas sessões de votação nominal, é um nome de centro-direita do Mato Grosso do Sul. O menos presente, com 41%, é um ex-governador do Pará que, em nota oficial, justificou as faltas com “compromissos de base”. O FORTIS NEWS não julga a motivação, mas registra que o mesmo parlamentar destinou R$ 24 milhões em emendas individuais em 2025.

**Por que isso importa?** A frequência é o indicador mais básico do exercício do mandato, mas não é o único. O número de projetos de lei apresentados (PL) é um termômetro de produção legislativa — especialmente para quem busca vender a imagem de “operário do parlamento”. A média de PLs apresentados por deputado na amostra é de 7,2. O campeão é um deputado do PL de São Paulo, com 31 projetos, a maioria sobre desburocratização e desoneração fiscal. O pior, com apenas 1 projeto, é um deputado do PSB de Pernambuco — aliado fiel do governo federal.

Entre os senadores, a média de PLs é de 4,8. O senador mais produtivo, com 12 projetos, é um nome do PSD do Paraná que foca em reforma tributária e liberdade econômica. O menos produtivo, com zero projetos apresentados — nenhum —, é um senador do MDB do Amazonas. Ele justifica em declaração à imprensa que “a função do Senado é revisar, não propor”. O FORTIS NEWS discorda: a Constituição não proíbe, e o eleitor que quer renovação espera iniciativa.

O terceiro pilar da comparação — e o mais quente politicamente — são as emendas parlamentares. Em 2025, o volume total de emendas impositivas individuais e de bancada atingiu R$ 38 bilhões. O deputado que mais destinou emendas na amostra é um nome do União Brasil de Goiás, com R$ 47,8 milhões. Ele também tem uma frequência de 73%. O senador que mais empenhou emendas é um do PSD de Rondônia: R$ 62 milhões. Ele aparece em 81% das sessões.

**Análise FORTIS:** O dado mais revelador é a correlação inversa entre emendas e produção legislativa. Dos 10 deputados que mais destinaram emendas, a média de PLs apresentados é de 3,1 — menos da metade da média geral. Ou seja: parlamentares que priorizam o orçamento tendem a legislar menos. Isso não é ilegal, mas questiona o conceito de “mandato parlamentar” como função de representação e não de gerência de recursos públicos. Em um país com dívida pública de 78% do PIB, essa prática equivale a um cheque em branco para o Executivo.

Os senadores que mais gastaram emendas também apresentaram, em média, apenas 2 projetos cada. A exceção é o senador de Rondônia, que combina alto volume de emendas com 5 projetos — mas seus temas são majoritariamente de interesse regional (infraestrutura e incentivos fiscais). A crítica liberal persiste: o sistema de emendas transforma o Congresso em uma agência de distribuição de recursos, não em um poder fiscalizador e legislador.

**Contraponto:** Defensores do sistema de emendas argumentam que a destinação de recursos para bases eleitorais é função legítima do parlamentar, especialmente em regiões carentes. Em nota oficial, a liderança do MDB na Câmara declarou que “a emenda é o instrumento que aproxima o congressista da população”. O FORTIS NEWS reconhece o argumento, mas pondera: se o mandato é apenas sobre “trazer recursos”, então o parlamentar não passa de um caixa eletrônico com direito a voto. A função de legislar e fiscalizar foi delegada ao Executivo? O eleitor liberal deve exigir produtividade legislativa, não apenas viadutos e creches.

O quadro completo indica que, para a reeleição em 2026, os candidatos vão usar uma das duas narrativas: “eu trabalho, veja meus projetos” ou “eu entrego, veja minhas emendas”. O FORTIS NEWS recomenda que o eleitor cheque ambos os números. A ferramenta está disponível: os dados são públicos nos portais da Câmara, Senado e Siga Brasil. A pergunta que fica é: o eleitor vai usar?

**1. Por que a frequência em plenário é tão baixa entre deputados que buscam reeleição?** A frequência média de 67,3% entre deputados candidatos reflete um fenômeno estrutural: o plenário é dominado por votações simbólicas ou acordos de liderança. Muitos parlamentares justificam a ausência com reuniões de comissões, viagens a bases eleitorais ou campanha antecipada. O FORTIS NEWS entende que a ausência em votações nominais de matérias relevantes — como reformas econômicas — é imperdoável. Mas a baixa frequência também expõe um sistema em que o plenário virou teatro para poucos temas.

**2. O fato de um parlamentar apresentar muitos projetos significa que ele é mais “trabalhador”?** Nem sempre. O FORTIS NEWS ressalta que a qualidade do projeto importa mais que a quantidade. Um parlamentar pode apresentar 30 projetos inconstitucionais ou meramente declaratórios, e outro pode se dedicar a uma única Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relevante. O número de PLs deve ser lido com ressalvas, mas a média baixa entre os maiores destinatários de emendas é um sinal de alerta para quem defende o Congresso como poder independente.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.