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Politica

Projeto de Flávio Bolsonaro que dificulta rastreamento de munições contraria diretriz da ONU

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Iniciativa legislativa do senador Flávio Bolsonaro propõe medidas que podem dificultar a identificação de projéteis, em sentido oposto às recomendações da Organização das Nações Unidas para o controle de armas no Brasil.

**Lead**

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou projeto de lei que altera os mecanismos de identificação de munições comercializadas no país, criando obstáculos ao rastreamento de projéteis. A proposta contrasta diretamente com as diretrizes da ONU, que recomendam ao Brasil a adoção de sistemas robustos de marcação e rastreamento de munições como parte do combate ao crime organizado.

**Contexto**

O projeto, em tramitação no Senado, prevê a flexibilização das exigências atuais para a marcação de lotes e a eliminação de registros individuais de projéteis. Atualmente, a legislação brasileira já segue padrões internacionais de marcação, mas o texto de Flávio Bolsonaro propõe a redução dessas obrigações, argumentando que medidas excessivas oneram a indústria e os consumidores. A justificativa do parlamentar aponta custos elevados para fabricantes e a suposta ineficácia de sistemas muito detalhados, o que, segundo ele, acabaria por encarecer o produto final sem trazer ganhos reais à segurança pública.

A ONU, por meio de seus comitês de desarmamento, tem reiterado a necessidade de que o Brasil aprimore os sistemas de identificação para evitar que armas e munições desviadas alimentem o crime. Em relatórios recentes, a organização destacou que a falta de rastreamento eficiente de munições é um dos principais gargalos na investigação de tráfico de armas na América Latina. O Brasil, como signatário do Tratado de Comércio de Armas (ATT) e de acordos regionais do Mercosul, assumiu compromissos de adotar medidas que permitam a rastreabilidade completa de munições, desde a fabricação até o uso final.

Dados de organizações de segurança pública indicam que grande parte das munições apreendidas em operações policiais não pode ser rastreada até o comprador original ou ao lote de fabricação, justamente por lacunas no sistema de marcação. O projeto de Flávio Bolsonaro, ao reduzir essas exigências, tenderia a agravar esse cenário, dificultando ainda mais o trabalho de investigação. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa nacionais apontam que a proposta representa um retrocesso em relação aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, podendo gerar sanções diplomáticas ou perda de cooperação técnica de organismos multilaterais.

**Análise**

Especialistas em segurança pública apontam que a proposta de Flávio Bolsonaro representa um retrocesso em relação aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. O país é signatário do Tratado de Comércio de Armas e de acordos regionais que exigem a marcação de munições. Caso aprovado, o projeto pode enfraquecer a capacidade de polícias e Ministério Público de rastrearem projéteis usados em crimes, dificultando a ligação entre armas e criminosos. A iniciativa também levanta questionamentos sobre a influência do lobby das armas no Congresso. Flávio Bolsonaro, conhecido por sua defesa do armamento civil, tem sido um dos principais articuladores de pautas que flexibilizam o controle de armas.

Críticos veem a proposta como mais um passo para desmontar o sistema de fiscalização, em um momento em que a violência armada persiste como um dos maiores desafios do Brasil. A ONU, por sua vez, mantém uma série de programas de cooperação técnica com o governo brasileiro para aprimorar a rastreabilidade de armas e munições. A contradição entre o projeto e as diretrizes internacionais pode gerar tensões diplomáticas e comprometer o acesso do país a recursos e assistência técnica na área. Enquanto isso, a tramitação do projeto no Senado será acompanhada de perto por entidades de direitos humanos e pela sociedade civil, que prometem mobilização contrária à iniciativa.

**Fontes**

A informação foi baseada em reportagens de veículos como O Globo e UOL, que tiveram acesso ao texto do projeto e a documentos da ONU sobre controle de armas. Também foram consultados analistas de segurança pública e representantes do Instituto Sou da Paz, que monitoram a legislação sobre armas e munições no Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.