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Projeção em Manhattan ironiza Flávio Bolsonaro: entrega simbólica da faixa presidencial a Trump

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Imagem projetada em prédio comercial de Nova York mostra senador brasileiro passando a faixa presidencial a Donald Trump, em protesto que expõe a tensão entre bolsonarismo e soberania nacional. Grupo de ativistas assume a autoria. Repercussão no Brasil divide opiniões.

Na noite de quinta-feira, 18 de setembro, uma projeção de aproximadamente 15 metros de altura surgiu na fachada de um edifício na região da Times Square, em Nova York. A imagem mostrava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ajoelhado, entregando a faixa presidencial brasileira a Donald Trump, enquanto uma multidão de bonecos verdes e amarelos aplaudia ao fundo.

O protesto, intitulado “Faixa à Venda” pelos organizadores, foi rapidamente divulgado em redes sociais como X e Instagram. Segundo um comunicado publicado pelo grupo “New York Resistance Project”, a ação visava denunciar “a subserviência de setores da direita brasileira aos interesses americanos”. O vídeo da projeção, que durou cerca de 40 minutos, acumulou mais de 2 milhões de visualizações em menos de 12 horas.

A escolha de Flávio Bolsonaro como alvo não foi aleatória. O senador, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é figura central na articulação política da família e tem defendido publicamente uma aliança estreita com Trump, que busca a reeleição nos EUA em 2026. Em julho, Flávio declarou à Rádio Jovem Pan que “o Brasil precisa de um parceiro forte como Trump para enfrentar o globalismo”.

O contexto da projeção se insere na escalada da campanha presidencial americana, que polariza o debate político global. Enquanto Trump tenta retornar à Casa Branca, seus apoiadores brasileiros veem na aliança uma oportunidade de reerguer o conservadorismo no Brasil. Críticos, porém, apontam que a entrega simbólica da faixa presidencial a um estrangeiro fere a soberania nacional.

Por que isso importa? A imagem projetada em Nova York não é apenas uma provocação estética. Ela toca no cerne do debate sobre independência nacional versus alinhamento ideológico. Para os liberais, a soberania de um país não se negocia, mas parcerias estratégicas são bem-vindas. O ato, no entanto, reforça a percepção de que o bolsonarismo trata a política externa como extensão de uma guerra cultural, e não como defesa dos interesses brasileiros.

Análise FORTIS: O protesto em Nova York é um sintoma da infantilização da política. Enquanto a esquerda usa o palco internacional para ridicularizar adversários, a direita brasileira parece não perceber que a imagem de um político entregando a faixa presidencial a outro país é um tiro no pé. O Brasil precisa de líderes que coloquem o país em primeiro lugar, não de marionetes de agendas externas. A verdadeira liberdade econômica e política exige que o Brasil negocie de igual para igual com qualquer potência, sem submissão retórica. O gesto projetado em Manhattan, portanto, serve como alerta: o eleitor brasileiro deve exigir que seus representantes tratem a soberania como ativo inegociável.

Contraponto: Em nota oficial, o senador Flávio Bolsonaro classificou a projeção como “mais um ataque covarde da esquerda internacional”. Em entrevista à Rádio CBN, ele afirmou que “a relação com Trump é de parceria, não de subordinação”, e que “a faixa presidencial jamais será entregue a ninguém”. Já o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) celebrou a ação nas redes sociais, escrevendo que “a verdade aparece onde a elite tenta esconder”. A polarização, mais uma vez, impede um debate racional sobre os limites da aliança internacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.