**Lead**
Uma professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi baleada na manhã desta sexta-feira (16) durante um assalto na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. A vítima, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, foi socorrida e encaminhada a um hospital da região. O caso, ocorrido em uma das áreas mais movimentadas e turísticas da cidade, reacende o debate sobre os efeitos da violência urbana sobre a economia local, especialmente em setores como comércio, serviços e turismo.
**Contexto**
A zona sul do Rio de Janeiro concentra bairros de alto poder aquisitivo e é o principal polo de atração de turistas nacionais e estrangeiros. Copacabana, Ipanema e Leblon respondem por uma parcela significativa da arrecadação de ISS (Imposto sobre Serviços) da capital, com hotéis, restaurantes e lojas que dependem da sensação de segurança para atrair clientes. Segundo especialistas em segurança pública ouvidos por veículos de imprensa, a região vinha registrando uma redução nos índices de roubos nos últimos meses, mas episódios de violência extrema, como o ocorrido hoje, têm efeito desproporcional na percepção de risco.
A professora aposentada da UFRJ, que lecionou por décadas no Instituto de Economia da universidade, estava a caminho de uma padaria quando foi abordada por dois criminosos armados. Durante a tentativa de levar a bolsa, houve reação da vítima e um dos assaltantes disparou. O tiro atingiu a perna da docente. Os suspeitos fugiram sem levar nada. A Polícia Militar foi acionada e realiza buscas na região. A UFRJ, por meio de nota, lamentou o ocorrido e prestou solidariedade à professora e sua família.
O episódio ocorre em um momento em que o estado do Rio de Janeiro busca reerguer sua economia após anos de crise fiscal e impactos da pandemia de covid-19. O turismo, que representa cerca de 8% do PIB fluminense, vinha se recuperando, com ocupação hoteleira em torno de 70% nos últimos meses. No entanto, a violência urbana continua sendo um dos principais fatores de desestímulo para investimentos e para a atração de visitantes.
**Análise**
O crime contra a professora aposentada não é apenas um fato de segurança pública, mas um sinal de alerta para a economia carioca. A zona sul do Rio é o cartão-postal da cidade e qualquer episódio de violência nessa região tem repercussão imediata na mídia nacional e internacional, afetando a imagem do destino turístico. Estudos de institutos de pesquisa mostram que a percepção de insegurança reduz o tempo de permanência dos turistas e o gasto médio diário, além de desestimular a realização de eventos e convenções.
Do ponto de vista econômico, o custo da violência para o Rio de Janeiro é estimado em bilhões de reais por ano, considerando gastos com segurança privada, perda de produtividade, desvalorização imobiliária e fuga de empresas. Bairros como Copacabana já viram o preço do metro quadrado cair em áreas com maior incidência de roubos. A professora, que dedicou sua vida ao ensino de economia, agora vivencia na pele as consequências de um problema que ela mesma estudou em sala de aula.
Especialistas apontam que a recuperação econômica do estado depende de uma agenda integrada que combine políticas de segurança com desenvolvimento social e urbano. Ações de policiamento ostensivo, como o programa "Bairro Seguro", têm apresentado resultados pontuais, mas a sensação de impunidade e a falta de investimento em prevenção continuam sendo desafios estruturais. O caso de hoje pode pressionar o poder público a rever estratégias, especialmente em áreas de grande circulação.
**Fontes**
- Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (comunicado oficial sobre a ocorrência). - Universidade Federal do Rio de Janeiro (nota de pesar e solidariedade). - Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (dados gerais sobre roubos na zona sul, sem números específicos). - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ) – declarações públicas sobre impacto da violência no turismo. - Reportagens de veículos locais como O Globo e G1 que cobriram o incidente.
Por Renan Filho · 2026-10-16