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Disputa pelo GDF: sociólogo e professor Leandro Grass desafia a governadora Celina Leão em 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-17

Candidato com carreira acadêmica na sociologia usa abordagem baseada em dados para enfrentar a atual governadora nas eleições do Distrito Federal.

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O sociólogo e professor universitário Leandro Grass oficializou sua pré-candidatura ao governo do Distrito Federal para as eleições de 2026, enfrentando a atual governadora Celina Leão. Grass, que já disputou o cargo em 2022 e obteve cerca de 58 mil votos (2,5% dos votos válidos), aposta em uma campanha calcada em evidências acadêmicas e análise de dados para conquistar o eleitorado brasiliense. A disputa ganha contornos inéditos por colocar frente a frente uma gestora com experiência no Executivo e um pesquisador que pretende aplicar metodologias científicas à administração pública.

**Contexto**

Leandro Grass é doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da mesma instituição, onde coordena grupos de pesquisa sobre desigualdade urbana e políticas públicas. Sua trajetória acadêmica inclui estudos sobre mobilidade social, segurança cidadã e planejamento metropolitano — temas que ele pretende transformar em eixos centrais de um eventual governo. Em 2022, Grass foi candidato pelo Partido Verde (PV) e obteve o quarto lugar, atrás de Ibaneis Rocha (reeleito), Leandro Grass aparece como uma das vozes mais críticas ao modelo de gestão vigente.

Celina Leão, por sua vez, assumiu o governo do DF em 2023 após o afastamento de Ibaneis Rocha por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Ela era vice-governadora e tornou-se a primeira mulher a comandar o Distrito Federal de forma efetiva. Sua gestão tem sido marcada por programas de segurança pública, ampliação de creches e investimentos em infraestrutura. Leão é filiada ao Progressistas (PP) e conta com o apoio de uma ampla coligação partidária. Nas pesquisas de intenção de voto para 2026, a atual governadora aparece na liderança, mas Grass busca ganhar tração entre eleitores insatisfeitos e setores jovens e acadêmicos.

A eleição de 2026 ocorre em um contexto de polarização nacional e de questionamento sobre o papel da ciência nas decisões governamentais. Grass representa uma tendência de candidatos com forte lastro acadêmico que têm conquistado espaço em disputas eleitorais, especialmente em grandes centros urbanos. No DF, onde aproximadamente 40% da população tem ensino superior, a mensagem de uma gestão baseada em evidências pode encontrar ressonância.

**Análise**

A candidatura de Leandro Grass insere-se num movimento global de aproximação entre universidade e política. O uso de big data, algoritmos de segmentação de eleitores e modelos preditivos já é realidade em campanhas profissionais, mas Grass propõe ir além: utilizar a sociologia como ferramenta para diagnosticar problemas estruturais — como a desigualdade entre as regiões do DF, a violência nas cidades-satélites e a fragilidade do transporte público — e desenhar políticas públicas com métricas de impacto claras. Esse discurso atrai setores que criticam o “achismo” na gestão e demandam transparência e eficiência.

Por outro lado, Celina Leão aposta na experiência administrativa e na capilaridade política. Sua gestão tem buscado modernizar a máquina pública com parcerias privadas e tecnologia, mas enfrenta críticas de movimentos sociais quanto à lentidão em reformas urbanas. O confronto eleitoral, portanto, não é apenas entre duas pessoas, mas entre duas visões de governo: uma mais pragmática e enraizada nas alianças partidárias, outra mais propositiva e calcada em dados acadêmicos.

Especialistas em ciência política apontam que a presença de um sociólogo na disputa pode elevar o nível do debate, obrigando a candidata a aprofundar propostas. No entanto, a capacidade de Grass de converter conhecimento científico em votos dependerá de sua habilidade de comunicação com o eleitorado não universitário e de sua estrutura de campanha. Em 2022, ele teve recursos limitados e pouco tempo de TV; para 2026, busca alianças partidárias mais amplas e apoios de institutos de pesquisa.

**Fontes**

As informações deste artigo foram obtidas a partir de registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do site da Câmara Legislativa do Distrito Federal, de entrevistas e reportagens de veículos como Correio Braziliense, Metrópoles e G1, e de publicações acadêmicas do próprio Leandro Grass disponíveis em repositórios universitários. Dados populacionais sobre escolaridade no DF são do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF). Números eleitorais de 2022 são provenientes do TSE. Nenhum número de pesquisa de intenção de voto para 2026 foi citado por não haver dados confirmados até o fechamento desta edição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.