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Eleições 2026: Como o esporte pode ser fator decisivo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

A pauta esportiva, antes coadjuvante, ganha centralidade na corrida presidencial. Falta de investimento, crise nos clubes e ausência de políticas públicas para o setor são os principais problemas que pesam na escolha do eleitor brasileiro.

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A menos de um ano das eleições presidenciais de 2026, a disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro, representado agora por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ganha um novo e inesperado campo de batalha: o esporte. Embora a economia e a segurança pública dominem os debates, uma pesquisa qualitativa realizada por institutos de opinião aponta que, para uma fatia significativa do eleitorado — especialmente jovens e moradores de periferias —, o futuro do esporte nacional é um dos fatores que mais pesam na hora de definir o voto. O problema central não é a performance de atletas olímpicos, mas a crise estrutural que atinge desde o futebol de base até o financiamento de modalidades amadoras.

**Contexto**

O esporte brasileiro vive um paradoxo. De um lado, o país ostenta uma das maiores marcas mundiais no futebol e revela talentos no vôlei, no atletismo e nas artes marciais. De outro, a infraestrutura esportiva está em frangalhos. Estádios construídos para a Copa de 2014, como a Arena das Dunas (Natal) e o Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília), são hoje elefantes brancos que consomem milhões em manutenção sem gerar retorno social. Clubes de futebol, especialmente os das séries C e D, enfrentam dívidas fiscais impagáveis e dependem de repasses federais incertos. A Lei de Incentivo ao Esporte, que permite a destinação de parte do Imposto de Renda para projetos esportivos, sofreu cortes nos últimos anos e não consegue atender à demanda de federações e associações.

Durante o governo Bolsonaro (2019-2022), a pasta do Esporte foi rebaixada a uma secretaria vinculada ao Ministério da Cidadania, perdendo status e orçamento. O orçamento federal para o esporte caiu de cerca de R$ 1,2 bilhão em 2019 para menos de R$ 800 milhões em 2022, em valores corrigidos. Já no governo Lula, o esporte foi elevado novamente a ministério, com a criação do Ministério do Esporte, comandado por Ana Moser. No entanto, a pasta enfrenta dificuldades para aprovar no Congresso um novo marco regulatório para o futebol e para garantir recursos para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e Los Angeles 2028. A falta de continuidade de políticas públicas é apontada por especialistas como o principal entrave para o desenvolvimento do setor.

**Análise**

O eleitor brasileiro, especialmente o jovem de 16 a 24 anos, enxerga no esporte uma ferramenta de inclusão social e de oportunidades. Em comunidades carentes, projetos esportivos são muitas vezes a única alternativa ao crime e à ociosidade. Quando Lula e Flávio Bolsonaro apresentam suas propostas, o público avalia não apenas o que dizem, mas o que já fizeram. Lula, em seus dois primeiros mandatos, criou o programa Bolsa Atleta e o Programa Segundo Tempo, que beneficiaram milhares de jovens. Já Flávio Bolsonaro, como senador, votou contra a ampliação de recursos para o esporte educacional e defendeu a redução do papel do Estado no setor, priorizando parcerias com a iniciativa privada.

Outro ponto que pesa na balança é a gestão dos grandes eventos. O Brasil sediou a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, mas o legado desses eventos é amplamente questionado. O eleitor lembra dos estádios subutilizados e das promessas não cumpridas de revitalização urbana. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro precisam responder a perguntas concretas: como reativar os equipamentos esportivos ociosos? Como garantir que o dinheiro público investido no esporte chegue às bases, e não apenas aos clubes de elite? A ausência de respostas claras pode custar caro nas urnas.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em dados do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre gastos com estádios da Copa de 2014, em relatórios do Ministério do Esporte sobre execução orçamentária, e em análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec sobre a percepção do eleitor em relação a políticas públicas de esporte. Também foram consultados especialistas em gestão esportiva da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.