**Lead**
O primeiro caça Gripen E/F produzido no Brasil realizou seu voo inaugural na manhã desta quarta-feira (7) a partir da unidade da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo. A aeronave, de matrícula FAB 4100, decolou por volta das 9h e permaneceu no ar por aproximadamente uma hora, realizando manobras básicas de validação dos sistemas de voo. O evento foi acompanhado por representantes da Força Aérea Brasileira (FAB), da Saab e da Embraer, e marca a entrada do país no seleto grupo de nações com capacidade de montagem e integração de caças supersônicos de quarta geração.
**Contexto**
O programa de aquisição dos caças Gripen para a FAB teve início em 2013, quando o governo brasileiro selecionou a proposta da sueca Saab para o projeto F-X2. O contrato previa a compra de 36 aeronaves, sendo que parte delas seria montada no Brasil pela Embraer, em uma transferência de tecnologia que inclui a instalação de sistemas de armas, aviônicos e a integração de sensores nacionais. O primeiro lote de caças foi fabricado na Suécia e entregue a partir de 2019. Já as unidades seguintes passaram a ser montadas na linha de produção instalada em Gavião Peixoto, onde a Embraer já produzia jatos comerciais e executivos.
A aeronave que voou hoje é a primeira de uma série de oito caças que serão integralmente montados no Brasil. O processo inclui a fabricação de partes estruturais, a instalação do motor Volvo RM12 (derivado do General Electric F404) e a integração de sistemas eletrônicos desenvolvidos por empresas brasileiras, como a AEL Sistemas (subsidiária da Elbit Systems) e a Mectron. O voo inaugural faz parte de uma campanha de ensaios em voo que deve durar vários meses, com o objetivo de certificar a aeronave para operação plena pela FAB.
**Análise**
A conclusão do primeiro voo de um Gripen montado no Brasil representa um marco estratégico para a indústria de defesa nacional. Diferentemente de simples acordos de compra, o programa Gripen envolve uma parceria industrial de longo prazo que transfere conhecimento em áreas como projeto aeronáutico, manutenção de sistemas de combate e logística integrada. A capacidade de montar e integrar um caça supersônico coloca o Brasil em posição de destaque na América Latina, onde poucos países possuem tal competência.
Além do aspecto militar, o programa tem impacto econômico direto. A linha de montagem em Gavião Peixoto gerou centenas de empregos qualificados e estimulou a criação de uma cadeia de fornecedores locais. Empresas como a Akaer, a Opto Eletrônica e a Cenic Engenharia participam do fornecimento de componentes e sistemas. A expectativa é que, com a experiência adquirida, o Brasil possa oferecer serviços de manutenção e modernização para outros operadores do Gripen na região, como a Colômbia e o Peru.
O voo de hoje também sinaliza a continuidade do cronograma do programa, que enfrentou atrasos devido à pandemia e a desafios técnicos na integração de sistemas. A FAB planeja receber todos os 36 caças até o final da década, substituindo gradualmente os antigos Northrop F-5 e os Mirage 2000. O Gripen E/F é considerado um dos caças mais modernos em sua categoria, com capacidade de guerra em rede, radar AESA e integração com mísseis além do alcance visual.
**Fontes**
As informações foram baseadas em comunicados oficiais da Força Aérea Brasileira, da Saab e da Embraer, além de reportagens veiculadas por agências de notícias como Reuters e Agência Brasil. Dados técnicos sobre o programa Gripen no Brasil estão disponíveis no site da FAB e em publicações especializadas como a Revista Forças de Defesa.
Por Renan Filho · 2026-10-07