**Lead**
O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, protocolou nesta quarta-feira (2) um pedido formal ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) para que o governo brasileiro expulse um diplomata dos Estados Unidos lotado no Brasil. A solicitação, encaminhada por meio de ofício, alega que o representante norte-americano teria se envolvido em atividades incompatíveis com as funções diplomáticas, configurando interferência em assuntos internos brasileiros. O nome do diplomata não foi divulgado pela assessoria da federação, que justificou a omissão para evitar exposição desnecessária antes de uma decisão oficial.
**Contexto**
A federação PSOL-Rede, formada pela aliança entre o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e a Rede Sustentabilidade, é uma das principais forças de esquerda no Brasil. Juliano Medeiros, presidente da legenda, tem um histórico de posicionamentos críticos à política externa dos Estados Unidos, especialmente no que tange à América Latina. Em declarações anteriores, Medeiros já havia manifestado preocupação com o que classifica como “ingerência norte-americana” em temas como a Amazônia e a política energética brasileira.
O pedido de expulsão ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, embora não haja confirmação oficial sobre o incidente específico que motivou a ação. A legislação brasileira, por meio da Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017) e da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, permite que o governo declare um diplomata estrangeiro como persona non grata, o que implica sua saída imediata do país. A medida é considerada extrema e raramente utilizada nas relações bilaterais entre Brasil e EUA.
O Itamaraty, procurado pela reportagem, limitou-se a informar que “o assunto está sendo analisado pelos canais competentes” e que não comentaria casos específicos. A embaixada dos Estados Unidos em Brasília também não se manifestou até o fechamento desta edição. Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que a solicitação pode gerar um desgaste desnecessário, especialmente em um ano de aproximação comercial entre os dois países.
**Análise**
A solicitação de expulsão de um diplomata estrangeiro é um ato grave nas relações internacionais, geralmente reservado a situações extremas, como espionagem ou interferência direta em processos políticos. Caso o governo brasileiro acate o pedido, isso representaria um significativo arrefecimento nas relações bilaterais, que historicamente oscilam entre cooperação e divergências. Especialistas em relações internacionais consultados pela reportagem destacam que a medida poderia gerar retaliações por parte de Washington, como a expulsão de diplomatas brasileiros nos EUA ou o cancelamento de acordos em andamento.
Por outro lado, a recusa do Itamaraty em atender ao pedido pode ser vista como uma demonstração de alinhamento com os EUA, o que poderia desagradar setores da base aliada do governo, especialmente partidos de esquerda como o PSOL. A federação PSOL-Rede, embora não integre a coalizão governista, tem influência em pautas ambientais e de direitos humanos. O episódio também reacende o debate sobre a soberania nacional e os limites da atuação diplomática estrangeira no Brasil.
A ausência de detalhes sobre o suposto envolvimento do diplomata dificulta uma avaliação mais precisa. No entanto, o simples pedido já sinaliza uma escalada na retórica de setores políticos brasileiros contra a presença norte-americana. Em um contexto global de rivalidade entre China e Estados Unidos, o Brasil busca manter uma posição de equilíbrio, mas incidentes como este podem forçar o governo a tomar partido de forma mais explícita.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa da federação PSOL-Rede, encaminhada à redação no início da tarde. O Itamaraty foi contatado por e-mail e telefone, mas não forneceu resposta conclusiva até o fechamento. A embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi procurada, mas não retornou as solicitações. Dados sobre a legislação diplomática foram extraídos da Lei de Migração brasileira e da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, disponíveis em fontes oficiais.
Por Renan Filho · 2026-10-02