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O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Ronaldo Costa, afirmou nesta terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é vítima de uma “perseguição política orquestrada” e que o Supremo Tribunal Federal (STF) exerce, na prática, uma “ditadura judicial” sobre o Brasil. A declaração foi feita durante um ato público realizado na sede do partido, em São Paulo, e transmitida ao vivo pelas redes sociais da legenda.
**Contexto**
Ronaldo Costa, conhecido por posições de extrema esquerda e críticas contundentes a ambos os lados do espectro político, usou a tribuna para defender o senador Flávio Bolsonaro, alvo de investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro e do STF. As apurações envolvem supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando Flávio era deputado estadual, incluindo movimentações financeiras atípicas e suspeitas de rachid de salários de funcionários de seu gabinete.
“O que estão fazendo com Flávio Bolsonaro é uma caça às bruxas. Não importa o que ele tenha feito ou deixado de fazer. O que importa é que o sistema está usando o STF para eliminar adversários políticos”, declarou Costa. O dirigente do PCO também afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que miram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, “age como um ditador de toga, sem qualquer controle ou equilíbrio”.
A fala de Costa ocorre em um momento de intenso debate sobre os limites da atuação do STF. Nos últimos meses, a Corte tem sido alvo de críticas de setores da direita e da esquerda, que apontam suposto ativismo judicial. O PCO, embora minoritário no cenário político nacional, tem se destacado por posições heterodoxas, como a defesa de pautas que aproximam setores da extrema esquerda e da extrema direita contra o que chamam de “establishment”.
**Análise**
A declaração de Ronaldo Costa revela uma tentativa de aproximação entre correntes políticas antagônicas em torno de um inimigo comum: o STF. Para analistas políticos, a estratégia do PCO é ampliar sua base de apoio entre eleitores insatisfeitos com o sistema judiciário, independentemente de sua orientação ideológica. Ao defender Flávio Bolsonaro, o partido busca capitalizar o descontentamento de parte da população com as investigações que atingem a família Bolsonaro.
No entanto, a fala de Costa também expõe uma contradição interna. O PCO sempre se posicionou contra o que chama de “direita fascista”, representada por Jair Bolsonaro e seus aliados. Agora, ao defender um dos principais nomes do bolsonarismo, o partido corre o risco de desagradar sua base histórica, que vê nos Bolsonaro a personificação de tudo que o PCO combateu por décadas.
Especialistas em direito constitucional ouvidos pelo FORTIS NEWS destacam que a acusação de “ditadura judicial” é infundada. “O STF atua dentro dos limites da Constituição. As investigações contra Flávio Bolsonaro seguem o rito legal e foram autorizadas pelo plenário da Corte. Chamar isso de ditadura é um exagero retórico que visa deslegitimar o sistema de Justiça”, afirmou um jurista que preferiu não se identificar.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir da transmissão ao vivo do ato do PCO, disponível no canal oficial do partido no YouTube, e de reportagens veiculadas pelos portais UOL e G1, que cobriram o evento. A declaração de Ronaldo Costa foi registrada na íntegra e pode ser verificada nas gravações públicas do partido.
Por Renan Filho · 2026-10-27