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Presidente de missão na Bahia defende ‘banho de sangue’ em favelas de Salvador e gera onda de indignação

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Declaração feita durante evento fechado em Brasília foi gravada e vazada; fala é comparada a discursos de extermínio e reacende debate sobre violência policial no Brasil.

**Lead**

O presidente de uma missão governamental ligada à segurança pública na Bahia defendeu, durante uma reunião fechada realizada no último dia 25 de setembro, em Brasília, uma abordagem violenta e letal contra supostos criminosos nas favelas de Salvador. Em áudio vazado e obtido pela imprensa, o representante afirmou que o estado deveria promover um “banho de sangue” para conter o avanço da criminalidade. A fala gerou reação imediata de organizações de direitos humanos, parlamentares e entidades da sociedade civil.

**Contexto**

A fala foi proferida durante um encontro de assessores e gestores estaduais que discutiam estratégias de combate ao crime organizado no Nordeste. O presidente da missão — cujo nome não foi divulgado oficialmente, mas que é descrito como um militar da reserva com histórico de atuação em áreas de conflito urbano — teria dito que “a única linguagem que o marginal entende é o chumbo” e que “um banho de sangue em algumas comunidades baianas resolveria o problema em semanas”. As declarações foram feitas em tom de debate informal, sem a presença de autoridades federais ou do governador da Bahia.

A Bahia, e especialmente Salvador, tem sido palco de uma escalada de violência. Dados oficiais divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do estado mostram que o número de mortes violentas intencionais na capital e região metropolitana cresceu nos últimos dois anos, ainda que o governo estadual tenha implementado programas de integração de forças e inteligência. A situação é agravada pelo domínio de facções criminosas em bairros periféricos e pela falta de investimento em políticas sociais e de prevenção primária.

O termo “banho de sangue” remete a discursos históricos de extermínio, utilizados em regimes autoritários e por grupos de extermínio que atuaram no Brasil nas décadas de 1970 e 1980. A fala resgata um fantasma que o país tentou enterrar com a redemocratização, mas que ressurge sempre que a pauta de segurança pública é dominada por soluções simplistas e violentas.

**Análise**

A declaração não é um fato isolado. Ela se insere em um contexto nacional no qual discursos de ódio e apologia à violência policial ganham espaço em esferas de poder. Nos últimos anos, figuras públicas e gestores da segurança têm recorrido a falas belicosas como estratégia de comunicação com uma parcela da população que se sente insegura e clama por “mão dura”. O problema é que tais falas, quando ditas por autoridades constituídas, não apenas inflamam ânimos, mas também podem servir de justificativa implícita para abusos e execuções extrajudiciais.

O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União já anunciaram que vão solicitar investigação sobre o episódio. O governo da Bahia, por sua vez, emitiu nota afirmando que não compactua com “declarações que atentem contra a vida e a dignidade humana” e que o presidente da missão não representa a posição oficial do estado. No entanto, até o fechamento desta edição, o cargo do declarante — e os mecanismos que o colocaram na posição — seguem sob questionamento.

O episódio expõe um dilema central da segurança pública brasileira: até que ponto o discurso de “guerra ao crime” pode ser tolerado sem que se converta em política de morte? A fala do presidente da missão na Bahia, mesmo que desautorizada, é um sintoma de um modelo que historicamente tratou os moradores de favelas como inimigos em vez de cidadãos.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir do áudio vazado reproduzido por veículos de imprensa nacional nos dias 26 e 27 de setembro de 2026, com confirmação de conteúdo por duas pessoas que estavam presentes na reunião, sob condição de anonimato. A nota oficial do governo da Bahia foi publicada em seu site institucional. Dados de violência citados são provenientes da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, disponíveis em seus boletins mensais. A informação sobre a solicitação de investigação pelo MPF e Defensoria Pública da União foi confirmada por meio de comunicados oficiais divulgados em seus canais de imprensa.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.