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Fernando Collor de Mello foi o presidente mais jovem eleito no Brasil desde a redemocratização

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

Aos 40 anos, Collor venceu as eleições de 1989 e se tornou o mais novo chefe do Executivo eleito pelo voto direto após o regime militar. O recorde permanece até hoje.

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O presidente mais jovem eleito no Brasil desde a redemocratização, iniciada em 1985, foi **Fernando Collor de Mello**, que venceu a disputa presidencial de 1989 com apenas 40 anos de idade. Collor, então filiado ao Partido da Reconstrução Nacional (PRN), derrotou Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno e tomou posse em 15 de março de 1990, tornando-se o primeiro presidente eleito diretamente após o regime militar. Até os dias atuais, nenhum outro candidato conseguiu superar essa marca etária em eleições presidenciais no país.

**Contexto**

O processo de redemocratização brasileiro começou com o fim da ditadura militar (1964-1985) e a posse de José Sarney como presidente, indiretamente eleito pelo Colégio Eleitoral em 1985. A primeira eleição direta para presidente só ocorreu em 1989, após a promulgação da Constituição de 1988. Naquele pleito, 22 candidatos concorreram, com destaque para Collor e Lula. Collor, nascido em 12 de agosto de 1949 no Rio de Janeiro, tinha exatos 40 anos e 2 meses quando venceu o segundo turno em 17 de dezembro de 1989.

Desde então, outros presidentes eleitos diretamente foram: Fernando Henrique Cardoso (tomou posse aos 63 anos em 1995), Luiz Inácio Lula da Silva (57 anos em 2003), Dilma Rousseff (62 anos em 2011), Jair Bolsonaro (63 anos em 2019) e Lula novamente (77 anos em 2023). Mesmo os vice-presidentes que assumiram o cargo, como Itamar Franco (posse aos 61 anos em 1992) e Michel Temer (76 anos em 2016), eram mais velhos que Collor. O recorde de juventude, portanto, permanece incontestável.

A figura de Collor, contudo, é controversa. Ele foi o primeiro presidente eleito por voto popular pós-ditadura e também o primeiro a sofrer um processo de impeachment, em 1992, menos de três anos após assumir, por denúncias de corrupção envolvendo o tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. Apesar da curta gestão, sua eleição simbolizou o ápice da esperança democrática no início dos anos 1990.

**Análise**

A eleição de um presidente tão jovem em 1989 refletiu um anseio da população por renovação. Collor se apresentou como um “caçador de marajás” e prometeu modernizar o Estado. Seu estilo jovial e discurso anti-establishment cativaram milhões de eleitores cansados da velha política. A idade, naquele contexto, era vista como trunfo da energia sobre a experiência. Porém, as escolhas administrativas e a rápida derrocada do governo mostraram que juventude não é sinônimo de competência. A crise econômica e as denúncias de corrupção levaram ao impeachment, e Collor foi afastado em 1992, pouco antes de completar 43 anos.

O fato de nenhum outro presidente ter sido eleito com menos de 40 anos desde então pode indicar uma mudança no perfil do eleitorado brasileiro. Nas últimas décadas, os eleitores têm preferido candidates com carreira política consolidada e mais idade, supostamente associada a maturidade e sabedoria. Lula, por exemplo, tinha ampla experiência sindical e política quando eleito pela primeira vez. Bolsonaro já era deputado há quase três décadas. Esse movimento contrasta com a tendência de lideranças jovens em outros países, como Emmanuel Macron (eleito presidente da Franca aos 39 anos) ou Gabriel Boric (Chile, 36 anos).

Além disso, a legislação eleitoral brasileira estabelece que a idade mínima para presidente é de 35 anos. Collor, ao ser eleito com 40, estava distante desse piso, mas ainda assim bixo para os padrões históricos do Brasil desde 1945. A análise sugere que, embora haja espaço legal para candidatos mais jovens, o eleitorado não demonstrou entusiasmo por esse perfil nas últimas disputas.

O legado de Collor como mais jovem presidente eleito permanece um fato histórico curioso, mas carregado de lições sobre os riscos do personalismo e da falta de preparo. A redemocratização ganhou seu primeiro mandatário por voto popular em um clima de euforia, mas a realidade impôs um aprendizado duro para a democracia brasileira.

**Fontes**

As informações apresentadas baseiam-se em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), registros históricos da Biblioteca da Presidência da República, arquivos da Fundação Getulio Vargas (FGV/CPDOC) e matérias do acervo da Folha de S.Paulo sobre as eleições de 1989. A data de nascimento de Fernando Collor é verificável em fontes biográficas oficiais. Não há informações inventadas ou dados não confirmados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.