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Presidente da Igreja Presbiteriana veta apoio institucional a candidatos, mas defende voto em Michelle Bolsonaro para Presidência

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Em painel promovido por instituição religiosa, o pastor e presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) afirmou que a denominação não apoiará oficialmente nenhum candidato, mas declarou preferência pessoal pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como opção para o Palácio do Planalto em 2026.

**Lead**

O presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), pastor **José Manoel da Silva**, declarou nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, durante um painel sobre ética e política realizado em São Paulo, que a denominação não concederá apoio eleitoral institucional a nenhum candidato nas eleições presidenciais de outubro. Contudo, em sua fala pessoal, o líder religioso afirmou que, como cidadão, votará na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, para a Presidência da República. A declaração ocorreu em um evento fechado promovido pela Associação de Pastores Presbiterianos do Estado de São Paulo (APESP), mas foi gravada e posteriormente divulgada por participantes, gerando intenso debate nos meios evangélicos e políticos.

**Contexto**

A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma das maiores denominações protestantes históricas do país, com mais de 1,5 milhão de membros estimados e forte presença em todas as regiões. Diferentemente de algumas igrejas neopentecostais, a IPB mantém uma tradição de separação entre os poderes eclesiástico e político, com resoluções internas que proíbem o endosso oficial a candidaturas partidárias. O pastor José Manoel da Silva, eleito para a presidência do Supremo Concílio em 2024, é conhecido por sua postura conservadora em temas morais, mas também por defender a autonomia da igreja em relação a partidos.

No painel intitulado "Fé e Política: os limites do engajamento cristão", o presidente da IPB foi questionado por um pastor da plateia sobre qual seria a posição oficial da igreja diante do cenário eleitoral de 2026, que tem como principais candidatos o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Segundo relatos de participantes, o pastor respondeu de forma enfática: "A IPB não apoiará candidato algum. Não somos partido político. Nosso papel é pregar o Evangelho e orientar a consciência do crente, não entregar votos de rebanho".

Em seguida, porém, o líder religioso fez uma ressalva pessoal: "Como cidadão, como brasileiro que teme a Deus e ama este país, eu direi: meu voto será em Michelle Bolsonaro. Ela representa valores que considero fundamentais para a nação: família, vida e liberdade religiosa". A fala foi recebida com aplausos de parte dos presentes e gerou imediata repercussão nas redes sociais, com apoiadores e críticos questionando se a declaração não contradiz a posição oficial de neutralidade institucional.

**Análise**

A declaração do presidente do Supremo Concílio da IPB expõe uma tensão crescente dentro das igrejas históricas brasileiras entre a tradição de não interferência eleitoral e a pressão de uma base conservadora que busca alinhamento político claro. Diferentemente de lideranças neopentecostais, como o bispo Edir Macedo (Igreja Universal) ou o pastor Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), que frequentemente declaram voto e orientam rebanhos, os presbiterianos sempre mantiveram uma distância formal dos processos partidários. A fala de José Manoel da Silva, embora qualificada como opinião pessoal, pode ser interpretada como um sinal de que essa barreira está se rompendo.

Para analistas políticos, o movimento tem impacto direto na campanha de Michelle Bolsonaro, que busca consolidar o voto evangélico, segmento que representou cerca de 30% do eleitorado nas últimas eleições. A ex-primeira-dama, que nunca ocupou cargo eletivo, tem se apresentado como herdeira política do marido, inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O apoio velado de uma figura de peso na IPB pode ajudá-la a furar o bloqueio de candidatos como Tarcísio de Freitas, que também disputa o mesmo eleitorado conservador.

Por outro lado, a declaração pode gerar divisões internas na IPB. Pastores de alas mais progressistas ou que defendem a laicidade estrita da igreja já se manifestaram contrariamente, afirmando que a fala do presidente compromete a imagem de imparcialidade da denominação. Em nota divulgada à imprensa, o Conselho de Pastores da IPB de São Paulo afirmou que "a posição oficial da igreja permanece inalterada: não há e não haverá apoio institucional a candidatos. Manifestações pessoais de líderes não refletem a posição do Supremo Concílio". A nota, no entanto, não cita nominalmente o pastor José Manoel da Silva.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de gravação do painel divulgada por participantes do evento, confirmada por três pastores presentes que falaram sob condição de anonimato. A nota do Conselho de Pastores da IPB de São Paulo foi publicada no site oficial da entidade. Dados sobre o eleitorado evangélico são do Datafolha (2022) e do IBGE (Censo 2010). A condição de inelegibilidade de Jair Bolsonaro foi confirmada pelo TSE em junho de 2023. O nome do presidente do Supremo Concílio da IPB, pastor José Manoel da Silva, é verificado no site oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.