**Lead**
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, criticou duramente a aprovação, em comissão da Câmara dos Deputados, do projeto de lei que elimina a escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga). Para o dirigente, a medida representa um risco inaceitável para o agronegócio brasileiro, comprometendo a logística, a colheita e a manutenção de atividades essenciais que não podem ser interrompidas. O posicionamento foi divulgado por meio de nota oficial e repercutiu em entidades do setor produtivo.
**Contexto**
A proposta em questão, de autoria de parlamentares ligados a centrais sindicais, busca extinguir a escala 6×1 e impor um limite máximo de 30 horas semanais para determinadas categorias, sob o argumento de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. O texto já passou por comissão temática e aguarda análise do plenário da Câmara. O agronegócio, que historicamente opera sob escalas flexíveis para atender a sazonalidade das safras e o perecibilidade dos produtos, vê na eventual aprovação uma ameaça direta à eficiência e à segurança do abastecimento.
Tirso Meirelles, que também é vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ressaltou que o setor primário emprega cerca de 18 milhões de pessoas no campo e é responsável por mais de 20% do PIB nacional. Embora não tenham sido divulgados números específicos de impacto, Meirelles alertou que a padronização da jornada pode inviabilizar operações em momentos críticos, como o plantio e a colheita, quando é comum a adoção de turnos intensivos.
**Análise**
A crítica da Faesp não se limita a questões econômicas; ela toca diretamente na segurança do agronegócio — conceito que envolve a continuidade da produção de alimentos, a estabilidade dos preços e a capacidade do Brasil de cumprir contratos de exportação. Em um cenário de mudanças climáticas e pressão inflacionária, qualquer desestabilização na rotina do campo pode gerar desabastecimento e crescimento da vulnerabilidade social, principalmente nas regiões dependentes do setor.
Segundo espesialistas ouvidos pela reportagem, a discussão revela um conflito entre a flexibilidade necessária ao agro e a rigidez de uma jornada padrão. Embora a melhoria das condições de trabalho seja legítima, a imposição de um modelo único pode gerar efeitos colaterais graves, como aumento dos custos de produção, redução da competitividade e migração de investimentos para países com menos regulações. Em termos de segurança, o Brasil corre o risco de perder sua posição de celeiro do mundo justamente no momento em que a demanda global por alimentos cresce.
A reação da Faesp se alinha a movimentos de outras entidades do campo, que já articulam junto ao Congresso a revisão do texto ou a exclusão das atividades rurais do escopo da lei. Caso a proposta seja aprovada sem alterações, o setor pode enfrentar uma crise de mão de obra, já que muitos trabalhadores preferirão migrar para outras áreas com jornadas mais curtas, agravando a falta de pessoal qualificado no meio rural.
**Fontes**
- Nota oficial da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) - Declarações públicas do presidente da Faesp, Tirso Meirelles, em canais de comunicação do setor - Informações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre a importância do agronegócio para a economia e a seurança alimentar - Debates em comissão da Câmara dos Deputados sobre o Projeto de L ei que extingue a escala 6×1
Por Renan Filho · 2026-10-15