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Presidente do TCE de Mato Grosso sacou R$ 15 milhões na boca do caixa, aponta PF

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-31

Investigação da Polícia Federal aponta que o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso realizou saques em espécie que somam R$ 15 milhões, sem movimentação bancária formal. O caso levanta suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

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A Polícia Federal revelou, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, que o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) sacou R$ 15 milhões em dinheiro vivo, diretamente em agências bancárias, sem registro de origem ou destino dos recursos. O montante, segundo os investigadores, foi retirado ao longo dos últimos dois anos em operações classificadas como “boca do caixa”, modalidade que dificulta o rastreamento financeiro. O caso, que inicialmente tramita na esfera criminal, ganhou repercussão nacional por envolver uma das mais altas autoridades de controle externo do estado.

**Contexto**

O TCE-MT é o órgão responsável por fiscalizar as contas públicas dos 141 municípios mato-grossenses e do governo estadual. O presidente da corte, que está no cargo desde 2023, tem mandato até 2025 e é figura central na aprovação ou rejeição de prestações de contas de prefeitos, secretários e do governador. A investigação da PF teve origem em uma série de quebras de sigilo bancário autorizadas pelo STF, após indícios de que o magistrado teria utilizado empresas de fachada para movimentar valores incompatíveis com sua remuneração oficial.

De acordo com documentos obtidos pela força-tarefa, os saques foram realizados em agências de Cuiabá, Várzea Grande e Brasília, sempre em valores fracionados para evitar a comunicação obrigatória ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em um único mês, o presidente teria retirado mais de R$ 2 milhões em espécie, o que levanta questionamentos sobre a finalidade do dinheiro. A defesa do presidente do TCE-MT nega qualquer irregularidade e afirma que os valores são provenientes de economias pessoais e de vendas de bens particulares, mas não apresentou documentação comprobatória até o momento.

A Polícia Federal também apura se parte dos recursos teria sido usada para financiar campanhas eleitorais de aliados políticos, o que configuraria caixa dois. O TCE-MT, em nota oficial, informou que “acompanha com serenidade as investigações” e que “o presidente continua no exercício pleno do cargo, pois não há decisão judicial que o afaste”. No entanto, a Associação Nacional dos Tribunais de Contas (ATC) já sinalizou que pode abrir um procedimento ético interno para avaliar a conduta do magistrado.

**Análise**

O caso expõe uma fragilidade estrutural no sistema de controle externo brasileiro: quem fiscaliza os fiscais? O presidente do TCE-MT, que deveria ser o guardião da legalidade na aplicação dos recursos públicos, agora é alvo de suspeitas de movimentação financeira atípica. Especialistas em direito público ouvidos pela imprensa destacam que a situação é especialmente grave porque o TCE é o órgão que julga as contas de prefeitos e do governador — ou seja, o presidente investigado pode ter influência direta sobre processos que envolvem os mesmos políticos que supostamente o beneficiaram.

Além disso, a modalidade “boca do caixa” é um dos métodos preferidos de organizações criminosas para lavar dinheiro, pois elimina o rastro eletrônico. Se confirmada a origem ilícita dos R$ 15 milhões, o caso pode se tornar um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo um tribunal de contas na história recente do Brasil. A transparência dos tribunais de contas, que já é alvo de críticas por falta de mecanismos de controle interno, volta ao centro do debate público.

Para o esporte mato-grossense, a notícia também tem impacto indireto. O TCE-MT é responsável por fiscalizar convênios esportivos firmados entre o governo estadual e federações, clubes e atletas. Em 2024, o órgão aprovou contas de repasses de R$ 12 milhões para a Federação Mato-Grossense de Futebol, valor que agora pode ser reavaliado diante das suspeitas sobre a conduta do presidente. A Polícia Federal já solicitou ao ST

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, com data de 28 de outubro de 2026, e de notas oficiais do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso e da Associação Nacional dos Tribunais de Contas. Dados complementares foram extraídos de reportagens dos portais G1 MT, Folha de S.Paulo e O Globo, publicadas entre os dias 29 e 30 de outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.