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O painel Prerrogativas, grupo de juristas alinhados ao campo progressista, protocolou nesta quinta-feira (8) uma representação na Polícia Federal contra o advogado Ricardo Vorcaro, acusando-o de prestar falso depoimento em investigação que relaciona a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a supostos atos antidemocráticos durante as eleições de 2022. A entidade pede que a PF abra inquérito para apurar a conduta de Vorcaro, que, segundo o grupo, teria mentido ao afirmar que o comitê de campanha de Lula teria incentivado manifestações contra o resultado do pleito. A representação foi entregue na Superintendência da PF em Brasília e anexa prints de mensagens e transcrições de áudios que, segundo o painel, desmentem a versão do advogado.
**Contexto**
Ricardo Vorcaro é um advogado criminalista que ganhou notoriedade ao representar investigados nos atos de 8 de janeiro. Em depoimento prestado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, ele afirmou que a campanha de Lula teria articulado e financiado a mobilização de apoiadores para questionar a lisura das eleições, em paralelo aos bloqueios de rodovias e acampamentos que ocorreram após a vitória do petista. Vorcaro citou reuniões com coordenadores de campanha e a existência de grupos de WhatsApp que, segundo ele, teriam sido criados por assessores do PT para organizar atos de contestação.
No entanto, o painel Prerrogativas contestou a veracidade dessas declarações. Em nota divulgada após a entrega da representação, o grupo afirmou ter obtido acesso a mensagens e gravações que comprovariam que Vorcaro nunca participou das reuniões que mencionou e que os grupos de WhatsApp citados por ele não tinham qualquer vínculo com a campanha oficial de Lula. “O depoente apresentou um relato fictício, com datas e locais que não coincidem com a realidade documental. Trata-se de uma tentativa de criminalizar a vitoriosa campanha do presidente Lula com base em inverdades”, diz trecho do documento protocolado na PF.
**Análise**
A movimentação do Prerrogativas ocorre em um momento de acirramento das disputas judiciais em torno dos atos de 8 de janeiro e da responsabilização de seus mandantes. Desde o início das investigações, a oposição tem buscado ligar o PT e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a diferentes formas de incentivo à ruptura institucional. A acusação de que Vorcaro teria prestado falso depoimento pode ter impacto direto na credibilidade de futuras testemunhas e na solidez das provas que embasam denúncias contra agentes públicos e políticos.
Se confirmada a falsidade, o caso pode abrir uma nova frente de investigação, com potencial para desgastar a imagem de Vorcaro e de outros advogados que atuam na defesa de investigados. Além disso, a representação reforça a estratégia do campo governista de desqualificar o que considera “narrativas infundadas” contra a campanha de Lula. O painel Prerrogativas já havia atuado em outras ocasiões em defesa de pautas ligadas ao governo federal, como a defesa do processo eleitoral e a crítica à atuação de setores do Judiciário.
**Fontes**
A notícia foi baseada em informações divulgadas pelo próprio painel Prerrogativas em seu site oficial e em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quinta-feira. Trechos da representação foram publicados pelo portal Metrópoles e pelo UOL, que tiveram acesso ao documento. A reportagem também consultou a íntegra da nota à imprensa emitida pelo grupo de juristas. A Polícia Federal, procurada, informou que recebeu o documento e que o mesmo será analisado pela equipe de investigação da corporação.
Por Renan Filho · 2026-10-08