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Politica

Prefeito de SP afirma que seria um erro se o MDB tivesse apoiado Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-13

Ricardo Nunes (MDB) criticou a possibilidade de seu partido ter formalizado apoio ao presidente Lula, em declaração que reacende o debate sobre alianças políticas para 2026.

**Lead**

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira que “seria um erro se o MDB tivesse apoiado Lula”. A declaração foi feita durante evento na capital paulista e repercutiu nos bastidores políticos, especialmente por vir de um dos principais nomes do partido no maior colégio eleitoral do país. Nunes, que comanda a cidade desde 2021, não detalhou o contexto exato da hipótese, mas a fala é interpretada como uma crítica à aproximação de setores do MDB com o governo federal.

**Contexto**

O MDB, maior partido do Brasil em número de filiados, vive uma encruzilhada histórica. Nas eleições de 2022, a sigla lançou a candidatura própria de Simone Tebet ao Palácio do Planalto, que terminou em terceiro lugar. Após o segundo turno, parte da legenda aderiu à base de Lula, ocupando ministérios como o do Desenvolvimento Social e o das Cidades. No entanto, alas do partido, especialmente as ligadas ao centrão e a governadores do Sul e Sudeste, resistem a uma aliança formal com o PT.

Ricardo Nunes é um dos expoentes dessa corrente. Ele foi eleito vice-prefeito na chapa de Bruno Covas (PSDB) e assumiu o cargo após a morte do tucano. Em 2024, deve concorrer à reeleição com o apoio de partidos de centro-direita, como o PL e o Republicanos. Sua declaração, portanto, não é isolada: reflete a posição de prefeitos e governadores do MDB que veem na oposição a Lula uma estratégia eleitoral mais vantajosa.

O presidente Lula, por sua vez, tem buscado ampliar a base de apoio no Congresso. O MDB controla a presidência da Câmara dos Deputados com Arthur Lira (PP-AL), mas o partido tem bancada numerosa e influência em estados-chave. Uma adesão formal do MDB ao governo poderia dar a Lula mais governabilidade, mas também geraria fissuras internas na legenda.

**Análise**

A fala do prefeito de São Paulo ganha relevância por dois motivos. Primeiro, porque Nunes é um dos possíveis candidatos ao governo do estado em 2026, caso não dispute a reeleição municipal. Uma posição antagônica a Lula pode ajudá-lo a consolidar o eleitorado de direita e centro-direita, especialmente em um estado onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ainda tem forte apelo. Segundo, porque o MDB precisa definir seu rumo: se continuará como partido de centro com autonomia ou se tornará mais um satélite do lulismo.

Analistas políticos apontam que a declaração de Nunes também pode ser lida como um recado ao presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. O partido tem evitado um alinhamento automático com o Planalto, mas a pressão por cargos e emendas é constante. Se o MDB formalizasse apoio a Lula, perderia o discurso de independência e poderia sofrer desgaste nas urnas em 2024 e 2026.

Por outro lado, a hipótese levantada por Nunes — de que o MDB tivesse apoiado Lula — não se concretizou em 2022, mas permanece no horizonte para o segundo mandato do petista. O governo Lula já sinalizou que deseja incorporar o MDB de forma orgânica, oferecendo mais ministérios e cargos de segundo escalão. A resistência de prefeitos como Nunes mostra que a tarefa não será simples.

**Fontes**

A declaração de Ricardo Nunes foi registrada por veículos de imprensa que cobriram o evento em São Paulo. O prefeito não especificou o contexto exato, mas a fala foi confirmada por assessores. Informações sobre a composição do MDB e sua relação com o governo Lula são baseadas em reportagens anteriores de jornais como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de análises de cientistas políticos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.