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O prazo para que os bancos brasileiros devolvam cerca de R$ 1,3 bilhão referente a valores movimentados por casas de apostas (bets) não autorizadas termina nesta quarta-feira. A determinação, imposta pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda, visa frear esquemas de lavagem de dinheiro e garantir a segurança financeira dos consumidores que foram induzidos a depositar recursos em plataformas clandestinas.
**Contexto**
A ofensiva contra o mercado ilegal de apostas online começou em outubro, quando o governo federal, por meio de portaria, listou as empresas de betting que não solicitaram autorização para operar no país. Cerca de duas mil bets foram consideradas irregulares. Na sequência, o Banco Central ordenou que os bancos bloqueassem as contas dessas empresas e repassassem os dados dos clientes para a Receita Federal.
Agora, a segunda etapa determina que as instituições financeiras restituam os valores depositados por apostadores nessas plataformas. O montante total de R$ 1,3 bilhão foi identificado pelo sistema financeiro como pertencente a contas vinculadas a bets ilegais. A medida afeta principalmente grandes bancos privados e públicos, como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Especialistas apontam que a devolução é um mecanismo de proteção ao consumidor, mas também visa quebrar a cadeia financeira das operações criminosas. Muitas dessas bets atuam sem qualquer controle, utilizando contas de terceiros para movimentar recursos e dificultar o rastreamento.
**Análise**
A ação coordenada entre o Banco Central e a Fazenda representa um marco na regulação do setor de apostas no Brasil. Até então, o mercado operava em uma zona cinzenta, com milhares de sites acessíveis a brasileiros, mas sem qualquer estrutura de compliance ou combate à lavagem de dinheiro. O prazo final para devolução pressiona os bancos a agilizarem os procedimentos internos, sob risco de multas e sanções administrativas.
Para os consumidores, a devolução pode ser um alívio financeiro, mas também um alerta sobre os riscos de investir em plataformas não regulamentadas. Segundo dados do próprio Banco Central, cerca de 20% das contas bloqueadas pertenciam a pessoas físicas que fizeram depósitos superiores a R$ 5 mil. Muitas delas podem ter perdido todo o valor caso o dinheiro já tivesse sido transferido para o exterior.
Do ponto de vista da segurança nacional, a operação desmonta uma engrenagem que movimentava bilhões sem qualquer fiscalização. O dinheiro das bets ilegais muitas vezes alimenta outras atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas. A devolução dos R$ 1,3 bilhão, portanto, não é apenas uma medida administrativa, mas um golpe direto no crime organizado.
**Fontes**
As informações foram baseadas em comunicados oficiais do Banco Central do Brasil e do Ministério da Fazenda, além de reportagens de veículos como G1, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Dados adicionais foram obtidos por meio de análise de documentos públicos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Por Renan Filho · 2026-10-14