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Segurança

PMs disparam 45 vezes contra jovem que morre com 27 tiros em São Paulo; caso reacende debate sobre letalidade policial

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Uma operação da Polícia Militar na periferia de São Paulo resultou na morte de um jovem de 22 anos, atingido por 27 disparos. Os policiais efetuaram ao menos 45 tiros. A família contesta a versão oficial e pede investigação independente.

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Na madrugada da última quarta-feira, uma ação da Polícia Militar (PM) na zona sul de São Paulo terminou com a morte de um jovem de 22 anos, identificado pela família como Lucas Oliveira (nome fictício, a pedido dos parentes). Segundo o boletim de ocorrência, os policiais teriam sido recebidos a tiros durante uma patrulha em uma área de vulnerabilidade social. No entanto, laudos periciais independentes e testemunhas apontam que os agentes efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram o corpo da vítima. O caso, que ocorreu no bairro Jardim Ângela, reacende o debate sobre o uso excessivo da força e a letalidade policial no estado de São Paulo.

**Contexto**

O jovem, que não possuía antecedentes criminais, segundo a família, estava em uma viela quando foi surpreendido pela viatura. A versão oficial da PM afirma que os policiais teriam sido atacados com arma de fogo e reagiram. No entanto, moradores da região contestam o relato. “Ele estava desarmado. Ouvi os tiros e depois o silêncio. Quando saí, vi o corpo no chão”, disse uma vizinha que preferiu não se identificar. A perícia inicial da Polícia Científica contabilizou 45 estojos de munição no local, todos de calibre compatível com as armas da PM. Dos 27 ferimentos, a maioria concentrou-se no tórax e na cabeça, indicando execução, segundo especialistas ouvidos pela imprensa.

Casos como esse não são isolados. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) mostram que, em 2025, a PM paulista matou mais de 800 pessoas em serviço, uma média superior a duas mortes por dia. Organizações de direitos humanos, como a Conectas e a Ouvidoria das Polícias, apontam que a letalidade policial recai desproporcionalmente sobre jovens negros e pobres da periferia. O estado de São Paulo, embora tenha reduzido os índices de criminalidade geral nos últimos anos, mantém uma das maiores taxas de mortes causadas por policiais do país.

A corregedoria da PM abriu procedimento interno para apurar a conduta dos agentes envolvidos. Em nota, a SSP afirmou que “os policiais agiram dentro dos protocolos operacionais” e que “as circunstâncias serão totalmente esclarecidas”. A família do jovem, assistida pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), protocolou representação no Ministério Público pedindo a investigação criminal individualizada de cada policial.

**Análise**

O volume de disparos — 45 tiros para uma única pessoa — levanta questões sobre o treinamento e o controle do uso da força pela polícia. Especialistas em segurança pública, como o sociólogo Luiz Eduardo Soares, já apontaram que a média de tiros por ocorrência em São Paulo é uma das mais altas do mundo. “Não há justificativa tática para disparar 45 vezes contra um alvo. Isso indica falta de controle emocional e despreparo técnico”, afirmou o pesquisador, em entrevista concedida anteriormente sobre caso similar.

Além disso, o fato de 27 projéteis terem atingido a vítima sugere que os policiais continuaram atirando mesmo após a queda do jovem. A legislação brasileira e os manuais de tiro policial determinam que o uso da força deve ser proporcional e cessar assim que a ameaça for neutralizada. A discrepância entre o número de disparos e os ferimentos fatais indica possível execução sumária, crime previsto no Código Penal.

O caso ganhou repercussão nacional e internacional. A Anistia Internacional Brasil classificou a ação como “violação grave do direito à vida” e cobrou uma apuração independente. Nas redes sociais, hashtags como #LutoPeloJovem27Tiros e #PMAtirou45Vezes mobilizaram milhares de pessoas. A Defensoria Pública do Estado ingressou com ação civil pública pedindo a instalação de câmeras corporais nos uniformes dos policiais que atuam em áreas de alto risco, medida já adotada em outros estados, como São Paulo, mas ainda com implementação parcial e questionamentos sobre a eficácia.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir do boletim de ocorrência registrado no 47º Distrito Policial (Capão Redondo), de laudos periciais preliminares da Polícia Científica de São Paulo, de nota oficial da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, de relatório anual da Ouvidoria das Polícias de São Paulo (2025) e de declarações de familiares e testemunhas à imprensa local. Também foram consultados posicionamentos do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e da Anistia Internacional Brasil, veiculados em seus canais oficiais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.